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Fact-checker admite que exposição à desinformação coloca desafios como fadiga - Zsófia Fülöp

LUSA
12-07-2026 08:45h

A jornalista e 'fact-checker' húngara Zsófia Fülöp defende, em entrevista à Lusa, que é preciso reconstruir a confiança nos media e aponta que a exposição à desinformação coloca desafios aos verificadores de factos como a fadiga.

De um modo geral, "a confiança no jornalismo e nos media é muito baixa", enfatiza a jornalista, que foi uma das oradoras do Seminário Connecting UE, organizado pelo Comité Económico e Social Europeu [European Economic and Social Committee (EESC), sob o tema "Em defesa dos valores europeus: o poder da sociedade civil" [In defence of european values: The power of civil society], que decorreu em Sófia.

"Acredito que — pelo menos no meu país, a Hungria, de acordo com a minha experiência — a confiança no 'fact-checking' [verificação de factos] e nos 'fact-checkers' [verificadores de factos] é ainda menor, pois tendemos a ser rotulados como aqueles que censuram a Internet e coisas do género", prossegue Zsófia Fülöp, que trabalha no Lakmusz, membro do Observatório de Media Digital da Hungria e monitoriza a desinformação.

Por isso, "penso que falar com as pessoas — como já referi, seja através da literacia mediática ou de encontros com leitores — pode ajudar a reconstruir a confiança".

A jornalista aponta ainda para o facto de existirem, atualmente, "muitos influenciadores ['influencers'], influenciadores de notícias nas redes sociais" e pessoas que "consomem notícias em grande parte através dessas redes e desses influenciadores".

"Penso que devemos também encontrar uma forma de cooperar e trabalhar com eles porque se conseguirmos de alguma forma coexistir ou incorporar o trabalho deles no nosso — ou vice-versa —, talvez consigamos chegar a mais pessoas. (...) Se o público perceber que fornecemos informações precisas através de diversos canais — como redes sociais, artigos, vídeos e literacua mediática —, a confiança poderá melhorar gradualmente", admite.

Agora, "é certamente um investimento a longo prazo", uma vez que "a mudança não acontecerá de um dia para o outro", adverte Zsófia Fülöp.

Questionada sobre se ser 'fact-checker' coloca desafios, nomeadamente em termos de saúde mental como a fadiga, a jornalista diz que sim.

"É definitivamente um desafio. Acredito que a fadiga em relação às notícias é algo real — tanto para os leitores como para os jornalistas e 'fact-checkers'".

Ou seja, "está-se exposto a tanta desinformação e conteúdo gerado pela IA [inteligência artificial] que, basicamente, não consegue parar de monitorizar as redes sociais, as notícias e a propaganda, afinal, é isso que faz — é o seu trabalho identificar esse conteúdo, desmascará-lo e apresentá-lo ao público", prossegue, referindo-se ao trabalho de 'fact-checking'.

"Sem dúvida, acho que o que ajuda é formar uma equipa muito boa, com a qual se possa falar sobre estas questões, não se sentir sozinho ajuda bastante", aconselha.

"Para mim, também ajuda participar em conferências e workshops e conversar com 'fact-checkers' e jornalistas de outros países, uma vez que partilhamos as mesmas experiências" e, "através destas conversas, sinto que não estou sozinha — eles enfrentam o mesmo problema e talvez tenham uma solução melhor do que a minha para o ultrapassar, permitindo-nos partilhar esse conhecimento", acrescenta.

Para Zsófia Fülöp, por vezes o que é preciso é "simplesmente desligar a mente, deixar o telemóvel de lado, sair do escritório às 17h e não se preocupar com 'e-mails' ou redes sociais até à manhã seguinte".

Contudo, admite que "é muito difícil fazer isso".

O seminário decorreu em 06 e 07 de julho na Universidade de Sófia.

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