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Exposição a desinformação tem impacto na saúde mental de 'fact-checkers' e jornalistas

11-07-2026 09:27h

O vice-chefe de projetos de investigação e cooperação da Deutsche Welle alerta, em entrevista à Lusa, para o impacto na saúde mental da exposição a conteúdos digitais desinformativos, nomeadamente em jornalistas e 'fact-checkers'.

Questionado sobre se deveria ser objeto de estudo o impacto da imensidão de desinformação que paira no digital, nomeadamente a fadiga nos 'fact-checkers' [verificadores de factos], Jochen Spangenberg admite que sim, considerando que "isso seria muito importante".

"Não se trata apenas das mentiras", mas também da exposição a conteúdo digital, onde se inclui material gerado por utilizadores ou até mesmo notícias “que vê ao ser exposto a conteúdo digital — digamos, material gerado por utilizadores” ou até mesmo notícias provenientes de contextos noticiosos, prossegue o 'deputy head of research & cooperation projects' da Deutsche Welle.

Até porque "há muito material que pode ter impactos graves no bem-estar mental", sublinha Jochen Spangenberg, que foi um dos oradores do seminário Connecting UE, organizado pelo Comité Económico e Social Europeu [European Economic and Social Committee] (EESC) que decorreu em 06 e 07 de julho em Sófia, Bulgária.

"Por isso, é extremamente importante preparar as pessoas para lidar com isso com antecedência — antes, e não depois —, pois existem mecanismos de enfrentamento" [ferramentas psicológicas que usadas para lidar com o stress, traumas, entre outros], defende Jochen Spangenberg, que tinha aludido a esta questão no seminário.

Apesar de não ser "o Santo Graal" ou a cura para tudo, Jochen Spangenberg dá dicas: "Desligue o som, porque o som fica muito mais gravado no cérebro do que as imagens — algo de que eu não tinha consciência".

É preciso ter "estratégias de prevenção à mão, existem várias técnicas de evitamento que o podem proteger, e é preciso conhecê-las", aliás, deveria conhecer de antemão se trabalha como jornalista e "não depois de ser tarde demais, nem depois de já ter sofrido consequências negativas", adverte o responsável.

"Embora exista uma quantidade limitada de investigação nesta área, agora — creio que posso afirmar isto — é evidente que a exposição a material digital potencialmente traumático pode ter impactos muito, muito negativos no seu bem-estar mental", insiste Jochen Spangenberg.

Ninguém quer sofrer um colapso ou desenvolver problemas de saúde mental a longo prazo.

"Se representa uma organização, quer proteger a sua equipa" e, "individualmente, não quer passar pelo que acontece quando se sofrem consequências muito graves, como a PTSD — perturbação de stress pós-traumático", adverte o responsável.

O seminário organizado pela EESC teve este ano como mote "Em defesa dos valores europeus: o poder da sociedade civil" [In defence of european values: The power of civil society] e decorreu na Universidade de Sófia.

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