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África Subsariana e Norte de África longe da erradicação da pobreza extrema

LUSA
07-07-2026 18:42h

A maioria das regiões estará perto de erradicar a pobreza extrema até 2030, com exceção da África Subsariana e Norte de África, assim como do Médio Oriente e parte da Oceânia, segundo um relatório da ONU hoje divulgado.

A secretária-geral adjunta da ONU, Amina Mohammed, apresentou hoje em Nova Iorque o relatório de 2026 sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), uma análise anual sobre o progresso da Agenda 2030, utilizando os dados e as estimativas mais recentes disponíveis, avaliando o progresso em cada Objetivo e as suas respetivas metas.

O relatório mostra que uma em cada dez pessoas ainda vive em extrema pobreza e considera pouco provável que o cenário seja diferente em 2030.

Em 2026, estima-se que 10% da população mundial – cerca de 826 milhões de pessoas – ainda viva em extrema pobreza, sobrevivendo com menos de três dólares (2,62 euros) por dia.

Desde 2015, essa percentagem desceu apenas três pontos percentuais, com a ONU a indicar que a "marca indelével da pandemia de covid-19 é hoje inegável".

As regiões mais pobres foram as mais afetadas e recuperaram mais lentamente: a África Subsariana viu a pobreza extrema aumentar dois pontos percentuais durante a pandemia e regressar aos níveis pré-pandemia apenas em 2025.

A Oceânia (excluindo a Austrália e a Nova Zelândia) seguiu a mesma trajetória.

A perspetiva global oferece pouco otimismo para o futuro, lamentou a ONU.

 "Mesmo deixando de lado o impacto da recente crise no Médio Oriente, estima-se que cerca de 9% da população mundial ainda estará em situação de pobreza extrema em 2030", pode ler-se no relatório.

"Com 71% dos extremamente pobres do mundo concentrados na África Subsariana, as perspetivas de acabar com a pobreza extrema a nível global dependem em grande parte do que lá acontecer", salienta-se ainda no documento.

Ter um emprego ou um negócio não garante escapar à pobreza, destacou a ONU, indicando que, no ano passado, 284 milhões de trabalhadores – 7,9% da população empregada – viviam em extrema pobreza no mundo, uma descida face aos 11% de 2015.

O progresso, no entanto, está longe de ser uniforme. Na África Subsariana e nos países menos desenvolvidos, a pobreza entre os trabalhadores situava-se em torno dos 40%, aproximadamente menos dois pontos percentuais do que uma década antes.

A disparidade é geracional. Os jovens entre os 15 e os 24 anos têm mais do dobro da probabilidade de serem trabalhadores pobres em comparação com os adultos e, na África Subsariana, quase metade dos jovens empregados vive em situação de pobreza entre trabalhadores.

A diversidade alimentar continua a ser inadequada para crianças e mulheres, com diferenças regionais persistentes.

"As disparidades regionais na prevalência da diversidade alimentar mínima são gritantes, variando entre 55,7% no Leste e Sudeste Asiático e apenas 18,5% na África Subsariana", segundo a ONU.

Os conflitos regionais e as secas na África Austral continuaram a impulsionar o aumento dos preços dos alimentos.

Na África Subsariana, que compreende mais de 70% dos países menos desenvolvidos do mundo, aproximadamente 26% dos Estados registaram preços dos alimentos moderadamente a anormalmente elevados, situação que agravou as vulnerabilidades económicas preexistentes.

Por outro lado, duas tendências encorajadoras estão a surgir na saúde reprodutiva global, de acordo com a ONU, que saudou o facto de o uso de contracetivos estar a aumentar e as taxas de natalidade na adolescência a descer.

Em todo o mundo, mais de 886 milhões de mulheres ou parceiros utilizam um método moderno de contraceção – mais 78 milhões do que em 2015 – e prevê-se que o número cresça em mais 31 milhões até 2030.

Quase metade deste aumento ocorreu na África Subsariana, onde o número de utilizadores aumentou em 35 milhões entre 2015 e 2026 e a previsão é que cresça em mais 17 milhões até 2030.

Há também mais crianças e jovens a completar a escola do que há uma década, mas um em cada seis está excluído da educação. 

Embora seja uma tendência encorajadora a nível global, outros sinais apontam para grandes e persistentes disparidades. Na África Subsariana, apenas 68% das crianças completam o ensino primário, 47% completam o ensino básico e apenas 28% completam o ensino secundário.

Nos países de baixo rendimento, a população fora da escola cresceu 29% desde 2015,com a África Subsariana e a Ásia Central e Meridional a representarem em conjunto três quartos do total global.

O relatório mostra também que as mulheres continuam a estar sub-representadas em cargos de liderança a nível global e o progresso está a diminuir.

Existem, no entanto, regiões a avançar positivamente. A África Subsariana apresentou os maiores progressos, com a participação das mulheres em cargos de gestão a crescer 7,7 pontos percentuais na última década.

Em 2025 registou-se a maior participação de mulheres em cargos de gestão no mundo, com 44,6%, segundo o relatório dos ODS.

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