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Investigadores descobrem como tratar a perturbação obsessivo-compulsiva de forma mais eficaz

LUSA
07-07-2026 07:00h

Uma equipa de investigadores da Fundação Champalimaud (FC) identificou, pela primeira vez, uma rede de circuitos cerebrais que pode permitir que os tratamentos da perturbação obsessivo-compulsiva (POC) sejam mais eficazes e personalizados.

Segundo a instituição, com esta descoberta, hoje publicada na revista científica Biológico Psychiatry, os médicos terão mais facilidade em identificar o local exato onde devem atuar, permitindo desenvolver o tratamento de uma forma mais personalizada em cada doente com esta condição neuropsiquiátrica.

Atualmente, o tratamento da POC é desenvolvido com recurso à Estimulação Magnética Transcraniana (EMTr), uma técnica não invasiva e indolor, que tem permitido uma evolução positiva em muitos doentes que não respondiam à medicação nem à psicoterapia.

“A verdade, no entanto, é que ao tratar a POC com EMTr, não é certo que a área cerebral alvo da estimulação esteja causalmente ligada aos sintomas” de perturbação obsessivo-compulsiva, explicou a fundação em comunicado.

Na maior parte dos casos, a origem da perturbação obsessivo-compulsiva é desconhecida, mas, em alguns casos raros, surge após uma lesão do cérebro, como um acidente vascular cerebral ou um tumor.

Com base nestes casos raros que surgiram após uma lesão localizada no cérebro, o investigador clínico Gonçalo Cotovio e a equipa da FC, em colaboração com colegas do Massachusetts General Hospital, nos EUA, conseguiram identificar os circuitos cerebrais onde poderá residir a causa dos sintomas da POC.

Para procurar esses casos lesionais, os investigadores realizaram uma pesquisa exaustiva da literatura publicada, para identificar descrições de sintomas neuropsiquiátricos com início após lesões cerebrais, tendo encontrado imagens de lesões cerebrais de 40 pessoas que desenvolveram POC após uma lesão cerebral.

Durante a análise, os investigadores concluíram que o resultado comum destas lesões – ou seja, a POC –, poderia residir não na sua localização no cérebro, mas nos circuitos neurais que as ligam.

“Os resultados deste estudo poderão ter implicações na melhoria do tratamento da POC com EMTr ou outros meios de neuromodulação”, salientou a FC, adiantando que os investigadores estão agora a completar um estudo clínico nesse sentido, financiado pela Brain and Behaviour Research Foundation, uma organização global sem fins lucrativos e um dos maiores financiadores não governamentais da investigação em saúde mental e neuropsiquiatria.

O estudo visa comparar a eficácia, na melhoria dos sintomas clínicos da POC, da estimulação das regiões-alvo habituais da EMTr com a da estimulação da rede de POC lesional recentemente identificada, referiu a Fundação Champalimaud.

“Isso significa que, em última análise – e esse é o próximo passo do projeto – podemos utilizar a nossa rede de POC lesional como uma ferramenta para orientar o tratamento com neuromodulação, em vez de nos basearmos em locais médios”, salientou Oliveira-Maia, autor sénior do estudo.

A perturbação obsessivo-compulsiva (POC) é uma condição neuropsiquiátrica que pode, nas suas formas mais graves, ser extremamente incapacitante.

“Os sintomas das pessoas que sofrem de POC podem incluir lavar as mãos ou tomar banho repetidamente, verificar incessantemente se desligaram o bico do fogão ou se trancaram a porta de casa. Nos casos mais extremos, estas atividades consomem tanto tempo e energia que os doentes se tornam incapazes de sair de casa, de trabalhar, de desenvolver relações significativas ou simplesmente de interagir com outras pessoas”, exemplificou a FC.

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