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Reitor da UTAD quer trabalhar com Ordem dos Médicos e não alimentar divergências

Lusa
24-06-2026 16:24h

O investimento no curso de Medicina na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) já ultrapassa os 2 milhões de euros, anunciou hoje o reitor no parlamento, recusando alimentar divergências com a Ordem dos Médicos.

O reitor da UTAD, Jorge Ventura, foi hoje ouvido pelas comissões de Saúde e de Educação e Ciência sobre as condições de abertura, em setembro, do Mestrado Integrado em Medicina naquela universidade, em Vila Real, numa audição conjunta que decorreu a pedido do Chega.

A deputada do Chega Manuela Tender disse que o partido vê “com muito bons olhos o anúncio da abertura deste curso na UTAD” e explicou que o requerimento foi apresentado depois de, em abril, a Ordem dos Médicos (OM) ter considerado não estarem reunidas as condições mínimas para o arranque do curso no ano letivo 2026/27.

Em novembro foi anunciada a aprovação condicional do curso de Medicina por parte da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES), dependente do cumprimento de dois requisitos: a formação do corpo clínico e docente e a criação de um centro de simulação. A acreditação condicional é valida por dois anos.

O reitor da UTAD disse que não é propósito da universidade “alimentar qualquer divergência com a OM”, pelo contrário, quer “trabalhar em conjunto, ouvindo as recomendações da OM e acolhendo os contributos que possam reforçar a qualidade do projeto”.

Jorge Ventura salientou ainda que a universidade assumiu o compromisso de cumprir “integralmente todos os requisitos de qualidade exigidos para a formação médica” e lembrou que o ministério formalizará o contrato programa depois da eleição do novo reitor, o que acontece na segunda-feira.

O professor catedrático João Barroso é candidato único.

O reitor adiantou que o investimento neste curso, pela universidade, já ultrapassa os 2 milhões de euros” e exemplificou com a aquisição de mesas anatómicas digitais de última geração e com o equipamento para o centro de simulação médica.

Disse ainda que já estão prontas três salas de aula, com mobiliário e sistemas digitais, uma outra está a ser montada e é destinada à realidade imersiva (realidade virtual e aumentada), e que já está em curso o plano de formação pedagógica para docentes.

“É precisamente por partilharmos essa exigência que estamos aqui hoje, não para negar dificuldades, mas para demonstrar que estamos a construir soluções sólidas e, sobretudo, necessárias para o futuro do país”, afirmou Sara Mota, presidente do conselho de administração da Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro (ULSTMAD), parceira no projeto.

A responsável registou “com alguma perplexidade que este projeto, precisamente por nascer no interior do país, parece suscitar um nível acrescido de suspeição e escrutínio”.

Sara Mota disse que o curso, uma vez em pleno funcionamento, terá cerca de 240 estudantes, o “que permitirá formar aproximadamente 40 médicos por ano no final da próxima década”, considerando que “os médicos tendem a fixar-se nos territórios onde são formados”.

“Este curso é, portanto, uma oportunidade concreta para inverter tendências de décadas”, frisou.

Pela A3ES, João Sàágua lembrou que curso proposto pela UTAD “foi progressivamente melhorado até estar em condições de ser aprovado”, o que significa que “tem a qualidade suficiente para funcionar, mas que há uma série de condições que devem ser preenchidas”.

No final dos dois anos, explicou, a Comissão de Avaliação vai visitar outra vez a UTAD e ver no terreno se as coisas estão resolvidas.

“Se estão resolvidas, o curso fica acreditado por seis anos. Se não estão resolvidas, ficará condicionado à situação que for”, concretizou.

Disse ainda que, quando os cursos “habilitam para uma profissão, as ordens profissionais são sempre ouvidas” e que, neste caso, o parecer da OM foi negativo, mas não é vinculativo.

Os autarcas, através da Comunidade Intermunicipal do Douro, João Gonçalves, e da Câmara de Vila Real, Alexandre Favaios, reiteraram o apoio à criação do curso, destacando a relevância para os cuidados de saúde da região.

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