O número de pessoas que continuam internadas nos hospitais após terem alta clínica ultrapassou as 3.500 no final do maio, anunciou hoje o diretor executivo do SNS, reconhecendo a impossibilidade de resolver o problema a curto prazo.
Ouvido na comissão parlamentar de Saúde, a pedido da bancada do PS, Álvaro Almeida adiantou que, no final do último mês, as unidades locais de saúde (ULS) registavam 3.536 situações de altas proteladas, dos quais 1.339 por falta de resposta social ou familiar.
Recentemente, a ministra da Saúde adiantou que, no final de abril, 3.493 utentes com alta clínica permaneciam internados nos hospitais, um número que foi hoje atualizado pelo diretor executivo do SNS para os 3.536, ou seja, mais 43 no espaço de um mês.
Álvaro Almeida salientou que este número resulta do levantamento que a Direção Executiva do SNS (DE-SNS) fez em todos os hospitais públicos, com a “definição mais lata de protelamento de alta”, incluindo todos os casos que, do ponto de vista clínico, já podiam ter saído do hospital.
Nesse levantamento estão ainda 1.358 pessoas à espera de serem admitidas na rede nacional de cuidados continuados integrados, mas também 513 utentes que aguardam uma resolução ao abrigo do regime jurídico de maior acompanhado, entre outras situações.
Salientou ainda que “os números não devem ser comparados” quando partem de bases diferentes, numa referência ao último barómetro da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, que apontou para 2.800 internamentos inadequados nos hospitais.
“Os internamentos sociais, de certeza, que não os vamos resolver este ano, mas estamos a resolvê-los gradualmente”, assegurou Álvaro Almeida aos deputados, adiantando que, desde o início desde ano, já foram colocas 422 pessoas, ao abrigo de uma portaria de 2023 que prevê respostas sociais para estes casos, o que representa um aumento de 27% em relação ao mesmo período de 2025.
“Há um aumento da capacidade de resposta que se tem observado desde a publicação da portaria que vai ajudar a minimizar o problema”, referiu o responsável da Direção Executiva do SNS.
Respondendo às questões da deputada do PS, Susana Correia, que lamentou que “em todo o mandato da AD” os internamentos sociais tenham aumentado 30%, Álvaro Almeida adiantou que, desde 14 de maio, já foram também colocados 79 utentes em camas intermédias, no âmbito de uma portaria deste ano que criou 400 desses lugares para permitir libertar camas nos hospitais públicos.
O diretor executivo considerou ainda que, desde 2017, os números dos internamentos sociais têm vindo “sistematicamente a aumentar”, uma vez que Portugal, por razões demográficas, tem registado mais pessoas dependentes que “não encontram uma resposta imediata no momento que têm alta clínica” do hospital.
Para Álvaro Almeida, a estratégia mais eficaz, na perspetiva da área da Saúde, passa pelo recurso aos cuidados domiciliários, alegando que permitem uma menor necessidade de investimento em infraestruturas e de recursos humanos, mas, sobretudo, porque são “aquilo que as pessoas querem”.