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Cuidadores de gatos de rua tem níveis moderados de fadiga por compaixão - estudo

LUSA
04-08-2026 07:00h

Uma equipa de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) concluiu que os cuidadores de gatos de rua apresentam níveis moderados de fadiga por compaixão, 10% deles têm mesmo níveis elevados, foi hoje divulgado.

A conclusão é do primeiro estudo nacional sobre a fadiga por compaixão, um tipo de esgotamento emocional e mental que afeta pessoas frequentemente invisíveis, “mas que podem representar dezenas de milhares de pessoas em Portugal”, alertou a FMUP, num comunicado enviado à agência Lusa.

O estudo teve como participantes 172 cuidadores informais de gatos de rua e o objetivo foi traçar o perfil destas pessoas e avaliar a sua experiência.

Em julho do ano passado, altura em que estava a ser lançado o recrutamento, em declarações à Lusa, a coordenadora do estudo, a professora Cristina Costa Santos referiu que “a equipa começou a perceber que são pessoas que são muito maltratadas”, razão pela qual quis partir para um “estudo alargado” a resultar num artigo cientifico e num alerta à sociedade e aos decisores políticos.

Hoje, na informação remetida à Lusa, Cristina Costa Santos refere “os resultados reforçam a necessidade de dar maior visibilidade e reconhecimento social ao papel destes cuidadores, promover campanhas de sensibilização e educação da população sobre a importância do seu trabalho e disponibilizar apoio institucional, prático e financeiro”.

Isto porque metade dos participantes apresentou fadiga por compaixão e 10% exibem mesmo níveis elevados.

O perfil mais comum são mulheres com idade média de 53 anos, empregadas e com ensino superior, o que, observou a investigadora, “contrasta o estereótipo comum dos cuidadores de gatos de rua como mulheres idosas e socialmente isoladas”.

O trabalho concluiu também que, ao contrário do que descrevem alguns estudos em profissionais de saúde, “a satisfação decorrente do cuidado prestado, apesar de elevada nestes cuidadores de gatos de rua, poderá não ser suficiente para atenuar o impacto psicológico da exposição repetida ao sofrimento dos animais”.

Entre as suas principais preocupações estão os custos associados à alimentação e às despesas com veterinário, bem como a hostilidade e até as ameaças de vizinhos.

Os cuidadores de colónias de gatos que sentem mais apoio das suas famílias são os que correm menos risco de desenvolver fadiga por compaixão.

Para Cristina Costa Santos são necessárias “políticas públicas que promovam uma gestão partilhada das colónias, evitando a dependência de um único cuidador”, assim como “um maior envolvimento e apoio dos municípios na gestão das colónias de gatos de rua”.

No entanto, acrescenta o resumo da FMUP, o simples registo oficial das colónias ou o contacto com os serviços veterinários municipais não bastam para diminuir a fadiga por compaixão, sugerindo que “os atuais modelos de apoio institucional, os programas CED (Captura-Esterilização-Devolução), poderão ser insuficientes”.

“Na prática, os cuidadores informais continuam frequentemente a assumir a alimentação e os cuidados veterinários de rotina, em parte porque os programas municipais se centram sobretudo na esterilização e nem sempre asseguram o acompanhamento continuado dos animais”, alerta a professora, considerando que apoiar os cuidadores informais dos gatos de rua “é essencial para o bem-estar animal, mas também para a saúde pública e para a qualidade ambiental dos ecossistemas urbanos”.

Além de Cristina Costa Santos, participaram neste estudo e Ivone Duarte Ana Monteiro, Rui Vidal, Paulo Vieira de Castro e Sara Lisboa.

Esta investigação incluiu especialistas de psicologia, veterinária e bioestatística.

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