SAÚDE QUE SE VÊ

Ébola: UE destina 11,5 ME à agência de saúde da UA para combater a epidemia

Lusa
09-06-2026 10:52h

A União Europeia (UE) vai destinar 11,5 milhões de euros para combater a epidemia do Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo), anunciou hoje a agência de saúde da União Africana (UA).

"O pacote [de 11,5 milhões de euros] visa reforçar o apoio da Comissão Europeia à resposta de emergência do Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC) à crise do Ébola, no âmbito da longa e abrangente parceria de saúde entre a União Africana e a União Europeia", lê-se na nota divulgada pela agência sanitária da UA.

Segundo o comunicado, este pacote "inclui 6,5 milhões de euros para fortalecer a Iniciativa de Genómica de Patógenos da África (...), além de uma contribuição de cinco milhões de euros em equipamentos de teste, incluindo dispositivos de diagnóstico rápido e kits de teste de laboratório".

A comissária europeia para a Preparação e Gestão de Crises, Hadja Lahbib, que anunciou a ajuda durante a sua visita à sede do Africa CDC em Adis Abeba, Etiópia, na segunda-feira, declarou que "parcerias sólidas salvam vidas", acrescentando que este pacote vai fortalecer a resposta à epidemia ao equipar e treinar profissionais de saúde.

Por sua vez, o diretor do Africa CDC, Jean Kaseya, descreveu "a parceria com a União Europeia como respeitosa e sem quaisquer condições, um tipo de parceria de que o continente precisa", refere-se no documento.

"Queremos assegurar-lhes que usaremos esse dinheiro para gerar impacto. E usaremos esse dinheiro para garantir que os corredores humanitários sejam considerados em nossa resposta. Não queremos ver, novamente, profissionais de saúde a morrerem porque não estamos a fornecer o apoio necessário", salientou.

Em comunicado entretanto divulgado pela Comissão Europeia, o executivo comunitário refere que, no total, vai disponibilizar 16,5 milhões de euros para ajudar a República Democrática do Congo a combater a epidemia de Ébola: além dos cinco milhões de euros em equipamentos de teste e dos 6,5 milhões para a Iniciativa de Genómica de Patógenos da África, o pacote hoje anunciado inclui também outros cinco milhões para a Organização Mundial da Saúde (OMS), para "reforçar a vigilância e o acesso a materiais de saúde".

Estes 16,5 milhões de euros hoje anunciados acrescem a outros 15 milhões que a Comissão Europeia já tinha disponibilizado em maio para apoiar a resposta humanitária de emergência na República Democrática do Congo e no Uganda perante a epidemia de Ébola.

De acordo com o mais recente relatório das autoridades da RDCongo, dos 550 casos da doença confirmados, houve 101 mortes e 19 recuperações.

A mais recente epidemia de Ébola, declarada primeiro como surto em 15 de maio, é provocada pelo raro vírus Bundibugyo, que não tem vacina ou tratamento aprovado, ao contrário do vírus Zaire, responsável pela maioria dos 16 surtos anteriores da doença no Congo.

A epidemia já se espalhou para o país vizinho, Uganda, onde foram detetados até ao momento 19 casos confirmados.

Na segunda-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reduziu o risco para a saúde decorrente da epidemia de Ébola no continente africano de "alto" para "baixo", com exceção da República Democrática do Congo, onde permanece "muito alto", e países vizinhos.

O vírus do Ébola, que foi detetado pela primeira vez em 1976, junto ao rio com o mesmo nome, na RDCongo, é transmitido através do contacto direto com sangue ou outros fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, dores musculares, fraqueza, dores de cabeça, irritação da garganta, febre, vómitos, diarreia e hemorragias internas.

O Ébola provoca uma febre hemorrágica mortal, mas o vírus, que causou mais de 15 mil mortes em África nos últimos 50 anos, é menos contagioso do que a covid-19 ou o sarampo, segundo a OMS.

MAIS NOTÍCIAS