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Cólera recua em Moçambique mas ainda há transmissão ativa em 16 distritos

LUSA
09-06-2026 09:28h

Moçambique registou apenas 22 casos de cólera em duas semanas, elevando a quase 9.100 infetados e 86 óbitos nesta epidemia, desde setembro, apesar de 16 distritos ainda terem transmissão ativa, segundo dados oficiais divulgados hoje.

No boletim mais recente da Direção Nacional de Saúde Pública (DNSP) sobre a evolução da doença, com dados de 03 de setembro a 06 de junho, regista-se um acumulado de 9.092 casos neste período, 3.937 dos quais na província de Nampula, com um total de 39 mortos, e 2.943 em Tete, com 33 óbitos, além de 1.137 em Cabo Delgado, onde foram registados oito mortos.

Há ainda registo de 595 infetados e um morto em Sofala, 331 infetados e três mortos em Manica, 146 infetados e dois mortos na Zambézia, além de três doentes contabilizados nas províncias de Gaza e Maputo e na cidade de Maputo.

O diretor nacional de Planificação e Cooperação e porta-voz do Ministério da Saúde moçambicano, José Manuel, disse na segunda-feira, em Maputo, que desde outubro o país registou a “declaração sucessivas de casos de cólera no país”, que chegaram a ultrapassar a centena diariamente nos primeiros meses de 2026, com o agravamento da época das chuvas e cheias generalizadas no país.

Acrescentou que dos 42 distritos afetados desde o início do surto, que depois foi classificado como epidemia pelas autoridades de saúde, apenas 16 continuam com transmissão ativa, nas províncias de Nampula, Tete, Cabo Delgado e Manica.

“Estão neste momento a ser desencadeadas ou intensificadas ações de prevenção contra a cólera e também decorre o processo de vacinação de bloqueio nalguns destes distritos”, disse ainda o responsável.

Nas 24 horas anteriores ao fecho do mais recente boletim da DNSP (06 de junho) foram confirmados apenas dois novos casos, com a taxa de letalidade geral em Moçambique a manter-se em 0,9% e com duas pessoas internadas, um dos números mais baixos desde em mais de seis meses.

No surto de cólera registado entre 17 de outubro de 2024 e 20 de julho de 2025 foram registados 4.420 infetados, dos quais 3.590 em Nampula, e um total de 64 mortos.

O novo Quadro de Ação Antecipatória das Nações Unidas à cólera em Moçambique prevê financiamentos até 1,7 milhões de euros para intervenções rápidas antes que os surtos se agravem, como o atual, conforme noticiado anteriormente pela Lusa.

O documento foi aprovado em 22 de maio pelas estruturas do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) e estabelece um mecanismo que liga dados epidemiológicos a financiamento imediato, permitindo agir precocemente e evitar crises de maior dimensão.

Acrescenta que a cólera continua a representar uma grave ameaça de saúde pública em Moçambique, com surtos recorrentes associados à falta de acesso a água potável, condições de saneamento deficientes e fenómenos climáticos extremos, como ciclones e inundações.

O novo quadro que antecipa o combate à cólera aprovado pelo OCHA define que a resposta será ativada com base em dados semanais sobre diarreia aquosa aguda, permitindo identificar rapidamente aumentos anormais de casos. Uma vez ultrapassados os limiares predefinidos, as ações serão desencadeadas automaticamente, evitando atrasos na mobilização de recursos.

Um dos elementos centrais do mecanismo é o financiamento pré-posicionado através do Fundo Central de Resposta a Emergências (CERF), que disponibilizará até 1,5 milhões de dólares (1,3 milhões de euros) para o período de vigência de dois anos. Cada ativação pode libertar 750 mil dólares (650 mil euros), permitindo duas intervenções rápidas durante esse período.

Além do financiamento direto do CERF, o plano prevê cofinanciamento por parte das agências envolvidas, elevando o valor total mobilizável para perto de dois milhões de dólares (1,7 milhões de euros), incluindo recursos adicionais destinados à preparação e implementação no terreno.

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