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Liga Contra o Cancro lança campanha de prevenção antitabágica dedicada aos jovens

LUSA
29-05-2026 12:43h

A Liga Portuguesa Contra o Cancro lançou hoje uma campanha de prevenção dirigida aos jovens para alertar para os riscos do tabaco, cigarros eletrónicos e novas formas de consumo de nicotina e evitar a iniciação de hábitos nocivos.

“Fumar? Não comeces” é a mensagem da nova campanha nacional da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), lançada no âmbito do Dia Mundial Sem Tabaco, assinalado no domingo, que tem como principal alvo os adolescentes e pré-adolescentes, disse à agência Lusa o presidente da LPCC, Vítor Veloso.

“Ao contrário do que aconteceu anteriormente, em que a campanha era dirigida sobretudo aos adultos, agora achámos que era fundamental também incidirmos numa camada mais jovem, numa altura em que efetivamente há a iniciação do tabaco”, afirmou Vítor Veloso.

Segundo o responsável, o objetivo é fazer “prevenção primária” para evitar que os jovens iniciem hábitos tabágicos, não só do fumo do cigarro tradicional, mas também dos cigarros eletrónicos e outras formas de consumo de nicotina.

“Tudo vai dar ao mesmo”, comentou, alertando que o tabaco está associado a cerca de 20 tipos de cancro. “Entre 80% e 90% dos casos de cancro do pulmão devem-se ao consumo de tabaco, em qualquer das formas”, sublinhou.

O oncologista alertou ainda para doenças “altamente debilitantes”, como a doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) e o enfisema, que “não matam necessariamente, mas comprometem gravemente a qualidade de vida”.

Além do pulmão, destacou o impacto do tabaco em cancros da cavidade oral, faringe, laringe, esófago, trato digestivo, rins e bexiga.

Vítor Veloso explicou que a campanha será adaptada “à adolescência e à pré-adolescência”, procurando contrariar a associação do tabaco a comportamentos de afirmação pessoal. “Pretendemos que a afirmação se faça de outra maneira, não fumando”, afirmou.

Para isso, a campanha aposta numa linguagem visual e emocional próxima das gerações mais novas, utilizando referências ligadas ao surf, skate e dança urbana para transmitir uma mensagem clara: “É possível afirmar identidade, atitude e confiança sem recorrer ao tabaco”.

“Vamos tentar, através de campanhas digitais, gráficas, falar a linguagem que eles compreendem, que eles apreendem, e chamar a atenção precisamente para os graves perigos do fumo, não só do fumo ativo, mas também do fumo passivo”, salientou.

Citando dados da Organização Mundial da Saúde, Vítor Veloso disse que o tabaco é responsável por mais de 8 milhões de mortes por ano, das quais cerca de 1,3 milhões são por fumo passivo.

Questionado se o cancro do pulmão também aparece em pessoas jovens, o especialista afirmou que sim e destacou o aumento da incidência entre as mulheres. “Os rapazes estão a fumar menos e as raparigas estão a fumar mais. Há uma transferência efetiva” do consumo nestas faixas etárias, sublinhou.

Com a campanha, a LPCC pretende alertar para os efeitos do tabaco na saúde e desconstruir a ideia de que os cigarros eletrónicos ou os consumos “sociais” representam alternativas seguras.

“O consumo de tabaco continua a ser a principal causa de cancro evitável no mundo. Apesar dos avanços na informação e na prevenção, continua a existir uma elevada vulnerabilidade dos jovens à iniciação tabágica, muitas vezes influenciada por fatores sociais e pela falsa perceção de baixo risco, nomeadamente das novas formas de tabaco”, reforçou Vitor Veloso.

A campanha realça ainda as recomendações da nova edição do Código Europeu Contra o Cancro, que identifica o não consumo de tabaco como a medida mais eficaz para prevenir o cancro e alerta igualmente para os riscos dos cigarros eletrónicos e novos produtos do tabaco.

Além da componente digital e gráfica, a iniciativa prevê ações presenciais em escolas, através da distribuição de ‘stickers’, ‘workshops’ criativos, performances de dança urbana e atividades participativas desenvolvidas para estimular a literacia em saúde e a reflexão crítica entre os jovens.

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