A organização Biohub, fundada pelo diretor executivo da Meta, Mark Zuckerberg, apresentou na quarta-feira um atlas de proteínas, criado através de inteligência artificial (IA), para acelerar o desenvolvimento de novos tratamentos para várias doenças, incluindo o cancro.
O modelo, que funciona como “uma espécie de motor de busca”, pode prever, projetar ou descobrir proteínas (grandes moléculas que desempenham diversas funções nos organismos) “poupando meses ou até anos aos investigadores”, indicou a Biohub, citada pela agência noticiosa France-Presse (AFP).
A organização de investigação sem fins lucrativos, criada por Zuckerberg e pela mulher, a médica Priscilla Chan, colocou o atlas ‘online’, sendo “oferecido gratuitamente a laboratórios de todo o mundo para facilitar o desenvolvimento de novos tratamentos”.
"As proteínas são o motor da vida. Mil milhões das suas sequências já foram catalogadas, mas a biologia subjacente à maioria delas continua a ser desconhecida. Hoje, estamos a apresentar um modelo que vai mudar isso", disse Alex Rives, cientista chefe da Biohub, citado pela AFP.
Com base na análise de aproximadamente 2,8 mil milhões de sequências genéticas de todo o mundo vivo, o modelo da Biohub permitiu aos investigadores da organização criar moléculas terapêuticas numa "questão de dias", em comparação com os meses ou anos necessários atualmente.
Uma vez criadas e testadas em laboratório, uma grande proporção destas moléculas funcionou como previsto, adiantou a fundação, enquanto a revista científica Nature relata que “outros cientistas estão impressionados com os resultados".
A Biohub espera que o atlas possa “acelerar a descoberta de moléculas eficazes contra certos tipos de cancro ou doenças autoimunes”.
Os modelos baseados em IA que estão hoje a ser desenvolvidos "poderão finalmente oferecer à comunidade científica uma forma de responder às questões mais difíceis e urgentes em relação à saúde humana", permitindo, por exemplo, "a simulação e compreensão do sistema imunitário", afirmou recentemente Priscilla Chan num artigo de opinião na revista norte-americana Time.
Segundo a AFP, esta iniciativa tecnológica é a mais recente tentativa de revolucionar a investigação biomédica com recurso à inteligência artificial, apontando que, antes da Biohub, a empresa Google DeepMind criou um atlas de proteínas, mais reduzido.