Moçambique registou 32 casos de cólera e um morto numa semana, elevando para 9.070 infetados e 86 óbitos nesta epidemia, desde setembro, segundo dados da Direção Nacional de Saúde Pública (DNSP) que indicam forte descida de novos casos.
No boletim mais recente da DNSP sobre a evolução da doença, com dados de 03 de setembro a 25 de maio, regista-se um acumulado de 9.070 casos neste período, 3.928 dos quais na província de Nampula, com um total de 39 mortos, e 2.937 em Tete, com 33 óbitos, além de 1.137 em Cabo Delgado, onde foram registados oito mortos.
Há ainda registo de 595 infetados e um morto em Sofala, 324 infetados e três mortos em Manica, 146 infetados e dois mortos na Zambézia, além de três doentes contabilizados nas províncias de Gaza e Maputo e na cidade de Maputo.
Nas 24 horas anteriores ao fecho do boletim (25 de maio) foram confirmados apenas dois novos casos – cerca de 450 infetados no último mês, mas com quedas semanais -, com a taxa de letalidade geral em Moçambique a manter-se em 0,9% e com quatro pessoas internadas, um dos números mais baixos desde o início do surto, que depois foi declarado epidemia.
Na última semana foi ainda registado um morto provocado por cólera, o segundo no mês de maio - dois mortos desde março -, elevando a 86 óbitos em quase nove meses.
Entre o final de fevereiro e o início de março, as autoridades de saúde moçambicanas chegaram a registar diariamente mais de 100 novos infetados, com surtos ativos em cerca de 25 distritos do país, indicadores atualmente em forte queda, associado ao fim da época das chuvas (outubro a abril). Ainda assim, há registo de sete distritos, sobretudo no centro, com surtos de cólera ativos.
No surto de cólera registado entre 17 de outubro de 2024 e 20 de julho de 2025 foram registados 4.420 infetados, dos quais 3.590 em Nampula, e um total de 64 mortos, pelo que o atual já supera o número de doentes e de óbitos.
O novo Quadro de Ação Antecipatória das Nações Unidas à cólera em Moçambique prevê financiamentos até 1,7 milhões de euros para intervenções rápidas antes que os surtos se agravem, como o atual, conforme noticiado esta semana pela Lusa.
O documento foi aprovado em 22 de maio pelas estruturas do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) e estabelece um mecanismo que liga dados epidemiológicos a financiamento imediato, permitindo agir precocemente e evitar crises de maior dimensão.
Acrescenta que a cólera continua a representar uma grave ameaça de saúde pública em Moçambique, com surtos recorrentes associados à falta de acesso a água potável, condições de saneamento deficientes e fenómenos climáticos extremos, como ciclones e inundações.
O novo quadro que antecipa o combate à cólera aprovado pelo OCHA, define que a resposta será ativada com base em dados semanais sobre diarreia aquosa aguda, permitindo identificar rapidamente aumentos anormais de casos. Uma vez ultrapassados os limiares predefinidos, as ações serão desencadeadas automaticamente, evitando atrasos na mobilização de recursos.
Um dos elementos centrais do mecanismo é o financiamento pré-posicionado através do Fundo Central de Resposta a Emergências (CERF), que disponibilizará até 1,5 milhões de dólares (1,3 milhões de euros) para o período de vigência de dois anos. Cada ativação pode libertar 750 mil dólares (650 mil euros), permitindo duas intervenções rápidas durante esse período.
Além do financiamento direto do CERF, o plano prevê cofinanciamento por parte das agências envolvidas, elevando o valor total mobilizável para perto de dois milhões de dólares (1,7 milhões de euros), incluindo recursos adicionais destinados à preparação e implementação no terreno.