Um total de 238 mortes suspeitas foram registadas devido à epidemia do vírus do Ébola, declarada a 15 de maio no leste da República Democrática do Congo (RDCongo), informou hoje o Governo congolês.
O anterior balanço apontava para 223 mortes suspeitas. A atualização corresponde à contagem feita até esta terça-feira, indicou o executivo no boletim publicado pelo Ministério da Comunicação, no qual refere também que já se acumulam "1.077 casos suspeitos".
Com base em testes laboratoriais, o departamento informou que existem 17 mortes e 121 casos "confirmados".
"As operações de vigilância, deteção e sensibilização comunitária continuam intensificadas, apesar dos desafios operacionais relatados no terreno", acrescentou o Ministério da Comunicação.
O surto foi detetado na província de Ituri, fronteiriça com o Uganda e o Sudão do Sul, mas expandiu-se também para as províncias orientais congolesas do Kivu Norte e Kivu Sul, bem como para o vizinho Uganda.
No Uganda, o número de casos confirmados - todos na capital, Kampala - ascende a sete, incluindo um óbito (um cidadão congolês cujo contágio é considerado importado).
O Governo ugandês anunciou esta quarta-feira o encerramento temporário da fronteira com a RDCongo para evitar uma maior propagação do vírus no seu território.
A epidemia - a 17.ª registada na RDCongo desde que o vírus foi descoberto em 1976 - corresponde à estirpe Bundibugyo do Ébola, cuja taxa de mortalidade oscila entre os 30% e os 50% e para a qual não existe vacina autorizada ou tratamento específico, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
O vírus começou provavelmente a circular em Ituri cerca de dois meses antes de a doença ser declarada, segundo a OMS, que a 17 de maio classificou a epidemia como uma "emergência de saúde pública de importância internacional".
Na sexta-feira, a OMS elevou de "alto" para "muito alto" o risco decorrente do surto na RDCongo e no Uganda, enquanto o risco continua "alto" ao nível da região da África Subsariana e "baixo" à escala global.
Dez países africanos, entre os quais Angola, encontram-se em "alto risco" de ser afetados pela epidemia por partilharem fronteira com a RDCongo e o Uganda.
O vírus do Ébola transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e causa febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.