SAÚDE QUE SE VÊ
Magnific

Trabalhadores da Saúde protestam frente a hospital privado e declaram apoio à greve geral

Lusa
27-05-2026 13:30h

Trabalhadores das clínicas e hospitais privados, hoje concentrados em frente ao Hospital Lusíadas, em Lisboa, manifestaram-se contra baixos salários e “horários desregulados”, declarando apoio à greve geral convocada pela CGTP para 03 de junho.

A ação de protesto reuniu algumas dezenas de dirigentes e delegados sindicais, assim como trabalhadores de folga, que exigiram carreiras dignas e valorizadas no setor privado da saúde.

De acordo com os sindicatos que convocaram a concentração, a Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP) “recusou-se a rever e melhorar” os contratos coletivos de trabalho que subscreveu com o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) e com a Federação dos Sindicatos de Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal (FESAHT), tendo enviado a ambos a denúncia dos mesmos, “com o objetivo de os levar à caducidade”.

Os trabalhadores queixam-se também de trabalharem horas extraordinárias que não são pagas.

A concentração contou com o secretário-geral da CGTP-IN, Tiago Oliveira, segundo o qual esta luta “não se pode desligar” da greve marcada para quarta-feira, contra as alterações à lei laboral que o Governo quer adotar.

“Sentimos nos locais de trabalho que o patronato está sedento que o pacote laboral entre em vigor”, disse o dirigente sindical perante os trabalhadores, ao apelar para uma forte adesão à greve no setor da hospitalização privada.

Tiago Oliveira defendeu que o Executivo pretende colocar no pacote laboral “a caducidade automática do contrato coletivo” e outras medidas que representam “profundos retrocessos” para quem trabalha.

“Neste pacote laboral está tudo o que de pior pode existir para a estabilidade na vida dos trabalhadores”, declarou, exemplificando com o alargamento dos contratos a prazo.

“O trabalhador pode nunca encontrar quem lhe queira fazer um contrato efetivo, pode nunca conseguir um crédito bancário para comprar uma casa”, afirmou Tiago Oliveira, sustentando que está igualmente prevista na lei a “facilitação dos despedimentos” e a possibilidade de as empresas reduzirem a categoria profissional dos trabalhadores.

Sobre as críticas ao facto de a greve se realizar em véspera de feriado, deixou um recado: “Há milhões de trabalhadores que trabalham aos feriados e aos fins de semana, incluindo na saúde, e ninguém pensa neles”.

A concentração de hoje foi convocada pelo SEP e pela FESAHT, que vão aderir à greve geral na próxima semana.

MAIS NOTÍCIAS