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Plataforma HuManos vai ligar quem procura a quem pode "vender" companhia

Lusa
21-05-2026 18:08h

A HuManos, uma plataforma que visa ligar pessoas vulneráveis ou com incapacidades a outras que queiram fazer-lhes companhia, está a ser desenvolvida como projeto-piloto para criar uma resposta social que aumente a autonomia de quem depende de cuidadores.

O projeto começou a ser desenvolvido em fevereiro deste ano, com base numa ideia de Paulo Ribeiro, tetraplégico que desde os 19 anos se defronta com “uma enorme dificuldade em encontrar pessoas que se disponham a ser uma companhia significativa”, ou seja, “alguém que não é um cuidador, para as necessidades práticas do dia-a-dia, mas que me acompanhe a um jogo de futebol, a um concerto, a uma esplanada, ou a uma consulta”, exemplificou à agência Lusa.

Da dificuldade partilhada com Joana Silva, que durante mais de um ano foi cuidadora de Paulo, resultou a ideia de avançar com a plataforma digital HuManos, para ligar pessoas em situação de isolamento ou solidão, com diferentes níveis de autonomia, a outras que oferecem serviços de companhia significativa e remunerada, através de geolocalização.

“No Japão já é um negócio em grande escala, pessoas que vendem o seu tempo, mas em Portugal ainda está muito estigmatizado”, explicou a psicóloga que com Paulo desenvolveu a ideia da plataforma “para ligar quem precisa desta companhia a quem a pode proporcionar, para conceder a autonomia às pessoas que têm condições diferentes, sejam físicas, sejam devido a doença ou idade”.

Ao projeto juntaram-se Pedro Silva, engenheiro informático e cuidador informal da avó de 88 anos, que se disponibilizou para desenvolver a plataforma, e Sara Graça, fisioterapeuta.

A ideia foi submetida ao “Big Impact”, um programa de aceleração de startups ou protótipos, desenvolvido pela Imatch e que tem como parceiros a Fundação Mendes Gonçalves (Golegã), a Casa do Impacto (uma aceleradora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa), a Universidade Nova de Lisboa e a empresa Siemens.

“A candidatura passou à segunda fase e, no dia 29, saberemos se é selecionada para a terceira fase, onde já só chegam poucos projetos, habilitando-nos ao prémio de 10 mil euros para avançar com o projeto”, afirmou Joana Silva.

O projeto-piloto pode ainda participar em rondas de investimentos em que parceiros se disponham a investir no projeto, que Joana Silva estima necessitar de “cerca de 200 mil euros”.

“Quando começámos a desenvolver esta ideia quisemos ir mais fundo e entrevistar organizações sociais que podem ser parceiros fundamentais”, já que, segundo Joana, “sentem a mesma dor de não conseguirem responder a tudo e ter dificuldade em encontrar recursos humanos para responder a estas questões”.

O projeto está atualmente em fase de inscrições, “já com bastantes inscrições de pessoas que querem prestar o serviço, algumas manifestando que não são motivadas pelo pagamento, mas pela vontade de ocupar o seu tempo e reduzir também a sua solidão e que reconhecem o valor social desta resposta”.

De acordo com mesma responsável, além de fazer corresponder a oferta e procura de companhia, a plataforma certificará os inscritos e “divulgará a sua validação por cada serviço prestado”, para garantir a segurança dos utilizadores.

A expectativa é de que, além da possibilidade de ganhar o prémio de 10 mil euros, o projeto mereça o interesse de investidores e que a plataforma esteja a funcionar dentro de seis meses, inicialmente na Área Metropolitana de Lisboa, alargando-se posteriormente a todo o país.

Até lá, os interessados podem inscrever-se e participar na construção da plataforma em https://humanos-app.lovable.app/.

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