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Incêndio no Hospital de Ponta Delgada é oportunidade para dotar Açores de “infraestrutura moderna” - Médicos

Lusa
12-05-2026 12:38h

A Ordem dos Médicos nos Açores defendeu hoje que, no hospital de Ponta Delgada, que sofreu um grande incêndio em 04 maio de 2024, se está perante uma “oportunidade histórica” para criar uma “infraestrutura hospitalar moderna” na região.

Em carta aberta, o Conselho Médico da Secção Regional dos Açores da Ordem dos Médicos considera que o incêndio ocorrido no Hospital do Divino Espírito (HDES) “constituiu um dos acontecimentos mais marcantes e traumáticos da história recente da saúde nos Açores”.

O encerramento súbito do “principal hospital da Região Autónoma colocou à prova profissionais, instituições e toda a comunidade açoriana, exigindo uma resposta rápida, resiliente e profundamente dedicada à manutenção da assistência aos doentes”.

O organismo representativo dos médicos considera que “a reabilitação do HDES não pode, nem deve, ser encarada como uma mera reparação estrutural do edifício existente”.

“O momento que atravessamos representa uma oportunidade histórica para dotar os Açores de uma infraestrutura hospitalar moderna, segura, resiliente e preparada para responder às exigências atuais e futuras da medicina”, defende a Ordem dos Médicos.

De acordo com o Conselho Médico, o projeto de reabilitação apresentado “procura precisamente cumprir esse objetivo de recuperar a capacidade assistencial perdida, corrigir fragilidades estruturais previamente existentes, atualizar o hospital de acordo com as normas técnicas contemporâneas e ampliar áreas críticas indispensáveis ao funcionamento de uma instituição hospitalar diferenciada do século XXI”.

Para os médicos dos Açores, “modernizar e ampliar infraestruturas hospitalares não constitui um luxo, nem um exercício político”, mas sim “uma obrigação técnica, ética e de segurança para com os doentes e para com os profissionais que diariamente ali trabalham”.

O Conselho Médico refere que vê “com preocupação a crescente disseminação pública de interpretações incompletas, distorcidas ou politicamente instrumentalizadas relativamente ao projeto de reabilitação do HDES”.

“O debate público é legítimo e desejável numa sociedade democrática. Contudo, quando esse debate assenta em desinformação, simplificação técnica ou rivalidades territoriais, corre-se o risco de fragilizar um processo que deveria unir a região em torno de um interesse comum: garantir cuidados de saúde seguros e de qualidade para todos os açorianos”, defende aquele organismo.

A Ordem refere que a saúde “não pode ser reduzida a disputas político-partidárias ou a lógicas de competição inter-ilhas".

Para os médicos, “defender a reabilitação qualificada do HDES não significa diminuir qualquer outra unidade de saúde da região, mas reconhecer a realidade assistencial existente, a diferenciação técnica necessária e a responsabilidade de garantir respostas adequadas à população açoriana”.

O Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, o maior hospital dos Açores, vai ser alvo de obras de requalificação e modernização na sequência do incêndio de 04 de maio de 2024 e que obrigou à transferência de todos os doentes para outras unidades de saúde da região, da Madeira e do continente.

Após o incêndio, foi construído um hospital modular junto ao edifício do HDES para assegurar a resposta dos cuidados de saúde.

A Comissão de Análise do Plano Funcional do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), nos Açores, propôs, entretanto, que a nova infraestrutura hospitalar tenha uma área clínica maior e seja dotada com 600 camas.

Em entrevista à agência Lusa, o presidente da comissão explicou que o organismo analisou o relatório apresentado pelo conselho de administração do HDES para o novo hospital de Ponta Delgada e “fez um conjunto de sugestões” ao Programa Funcional, que prevê a requalificação da atual infraestrutura e a sua ampliação.

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