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Governo deve continuar a apoiar programa de saúde mental nas universidades - CRUP

Lusa
11-05-2026 13:57h

O novo presidente do CRUP, Luís Ferreira, considerou hoje “muito importante” a continuação do apoio do Governo ao programa de saúde mental entre estudantes universitários e comunidade académica, no qual se deu “um salto enorme”.

“É muito importante que o Governo continue a apoiar todos os esforços que nós estamos a fazer [na área] da saúde mental”, alertou o presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), que tomou hoje posse, numa reunião deste órgão realizada na Universidade de Évora, substituindo no cargo Paulo Ferreira.

Em declarações aos jornalistas, à margem da reunião, Luís Ferreira salientou que foi possível dar “um salto enorme na resposta” aos estudantes, fruto do apoio do Governo.

Uma sessão decorre hoje em Lisboa para divulgar os resultados alcançados no âmbito do Programa Nacional de Promoção da Saúde Mental no Ensino Superior, assim como refletir sobre a sua continuidade e alargamento.

A sessão é promovida pela Coordenação Nacional das Políticas de Saúde Mental e pelo IES - Instituto para o Ensino Superior, com o apoio dos ministérios da Saúde e da Educação, Ciência e Inovação.

“O projeto de saúde mental que existiu nos últimos anos e que foi apoiado fortemente pelo Governo, teve respostas extraordinárias. É preciso manter isso”, sublinhou, lembrando que “antes não havia” um programa nesta área e este, “neste momento, acaba”.

Questionado pela Lusa sobre se o Programa Nacional de Promoção da Saúde Mental no Ensino Superior, que apoiou 40 projetos em 68 instituições, deveria não só prosseguir, mas até ser ampliado, o presidente do CRUP e reitor da Universidade de Lisboa respondeu de forma pragmática.

“Era bom que pudesse ser ampliado, mas se não pudesse ser ampliado, que continue, pelo menos”, disse.

Nas declarações aos jornalistas, Luís Ferreira fez questão de assinalar a importância do apoio do Governo em diversas áreas do ensino superior, para além do financiamento existente no Orçamento do Estado (OE).

“Aquilo que é o financiamento de base genericamente para as universidades não paga sequer os vencimentos dos professores. Portanto, nós temos que ir encontrar sempre outras formas de financiamento para garantir a qualidade do ensino que fazemos e da investigação e da inovação”, realçou.

E isto significa, continuou, que as universidades precisam “efetivamente do Governo” para que as “apoie nestas áreas”, como a da saúde mental, mas também na ação social.

“É preciso que apoie nos serviços de ação social”, disse, frisando que esta “é uma área que representa naturalmente um encargo grande para as instituições”.

E, se estas não tiverem “um apoio suplementar, não vale a pena [estar] a fazer novas residências, porque aquilo que os estudantes pagam na residência não paga a manutenção da residência”, a qual tem de ser garantida, alertou.

O presidente do CRUP disse que o Governo dava um euro por refeição e dava uma determinada quantia por cama, mas, “neste momento, isso não está no OE e temos algum medo de que para o ano não exista. E isso vai naturalmente prejudicar as instituições que estiveram a investir em ter melhores residências e melhores cantinas”.

Além disso, é preciso “apoio em áreas como a inovação, ou seja, o Governo não pode estar à espera que, de repente, toda a investigação passe para o sistema produtivo sem haver uma ‘interface’ que permita fazer isso”, defendeu.

O novo responsável do CRUP argumentou que o ensino superior é “o principal elemento ascensor social” e, num momento em que “praticamente todo o edifício legislativo do ensino superior está a ser alterado” é necessário “um diálogo permanente” e “construtivo” entre as universidades e o Governo.

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