A Comissão de Utentes do Samouco, no concelho de Alcochete, realiza hoje uma tribuna pública para exigir profissionais de saúde que garantam a assistência médica aos utentes da localidade.
A comissão de utentes considera que o direito constitucional à saúde está a ser negado na prática porque, apesar de o posto de saúde ter instalações modernas e equipadas, nomeadamente dois gabinetes médicos, dois gabinetes de enfermagem e todas as condições físicas necessárias, faltam médicos, enfermeiros e administrativos para garantir o seu funcionamento regular.
O Samouco é uma freguesia do concelho de Alcochete, no distrito de Setúbal, e conta com mais de 2.800 utentes inscritos, numa população de cerca de 3.344 habitantes.
Em comunicado, a comissão de utentes explica que muitas destas pessoas, especialmente idosos ou com mobilidade reduzida, não têm transporte próprio e não conseguem deslocar-se a Alcochete, onde existe um centro de saúde, tornando o acesso aos cuidados de saúde um privilégio para poucos.
Face a esta realidade, a Comissão de Utentes exige médicos de família com presença regular no Samouco, assim como enfermeiros de família para cuidados de enfermagem regulares com o acompanhamento de doenças crónicas, vacinação, cuidados básicos e continuados.
“A saúde é um direito fundamental, consagrado no artigo 64.º da Constituição da República Portuguesa e deve ser garantido a todos, em todas as localidades”, explica a comissão em comunicado apelando à mobilização da população na iniciativa marcada para as 10:30 na Praça da República, no Samouco na qual será apresentado um abaixo-assinado.
Raquel Prazeres, da comissão de utentes explicou em declarações à agência Lusa que, face ao número de população da freguesia, o posto deveria ter pelo menos dois médicos, mas apenas uma médica faz serviço a meio tempo.
A freguesia do Samouco é uma das três freguesias do concelho de Alcochete, um município com 20.462 habitantes, segundo dados do Pordata.