Macau prevê gastar este ano mais de 210 milhões de patacas (22 milhões de euros) com um subsídio para crianças até aos três anos, criado para tentar inverter a mais baixa natalidade do mundo.
Num comunicado, o Instituto de Ação Social (IAS) disse que irá transferir, em 14 de maio, para a conta bancária do beneficiário, o subsídio de assistência na infância referente a 2026, no valor de 18 mil patacas (1.900 euros).
O IAS estima um gasto total superior a 210 milhões de patacas, envolvendo cerca de 11.700 pedidos que que foram aprovados em 2025 e que continuam a preencher as condições de elegibilidade.
Na nota divulgada na quinta-feira, o IAS sublinhou que o subsídio tem como objetivo "incentivar a natalidade e concretizar medidas de apoio financeiro para as famílias com bebés ou crianças".
Este subsídio, no valor total de 54 mil patacas (cerca de 5.830 euros), para crianças até aos três anos, foi uma das medidas introduzidas em 2025 para incentivar a natalidade.
O líder do Governo, Sam Hou Fai, aumentou também o subsídio de nascimento, de 5.418 patacas (571 euros) para 6.500 patacas (685 euros), e o subsídio de casamento, de 2.122 patacas (234 euros) para 2.220 patacas (234 euros).
O executivo prometeu oferecer, de forma gratuita, mais e melhores creches e lançou uma consulta pública, que terminou em 16 de março, sobre o aumento no setor privado da licença de maternidade, de 70 para 90 dias.
A taxa de fecundidade em Macau voltou a cair no ano passado, para um novo mínimo histórico, depois da região chinesa já ter registado em 2024 a taxa mais baixa do mundo.
De acordo com dados oficiais divulgados pela Direção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), Macau terminou 2025 com 0,47 nascimentos por cada mulher entre 15 e 49 anos, menos 0,11 do que no ano anterior.
A fecundidade no território tem vindo a cair consecutivamente desde há 11 anos, para o valor mais baixo desde que a DSEC começou a calcular esta taxa, em 2001, e muito longe do valor necessário para a substituição de gerações (2,1).
Além da queda da fecundidade, um indicador importante para prever a evolução da população, Macau também registou no ano passado 2.871 recém-nascidos, o menor número de nascimentos em quase 50 anos.
De acordo com estimativas do Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas, a região terá tido em 2024 a mais baixa taxa de fecundidade do mundo, seguida de Singapura, com 0,95 nascimentos por mulher.
Com menos nascimentos, os idosos de Macau, com 65 ou mais anos – cerca de 105.200 em 2025 – representavam 15,3% da população, mais 0,7 pontos percentuais do que no ano anterior.
A população da cidade atingiu 688.900 pessoas no final de 2025, um aumento ligeiro de 0,1% face ao ano anterior, sendo que 80.300 eram jovens até aos 14 anos (11,7%).
A população idosa ultrapassou pela primeira vez a dos jovens em 2023, com o Governo de Macau a prever uma "superbaixa taxa de natalidade" ainda esta década e perto de um quarto da população idosa até 2041.