A Comissão Europeia disse hoje que "não há motivo para preocupação” relativamente ao hantavírus, doença rara detetada num cruzeiro no Atlântico, e anunciou a ativação do Mecanismo Europeu de Proteção Civil para ajudar Espanha no desembarque de passageiros.
“De acordo com as provas disponíveis na situação atual, não há motivo para preocupação. Neste momento estamos a monitorizar a situação muito de perto, estamos em contacto com todas as autoridades necessárias e estamos em contacto desde o primeiro dia em que fomos notificados sobre a doença no navio de cruzeiro”, disse a porta-voz do executivo comunitário para a gestão de Crises, Eva Hrncirova.
Falando na conferência de imprensa diária da instituição, em Bruxelas, a responsável garantiu que, “desde esse primeiro dia, a Comissão Europeia tem estado em contacto com os Estados-membros e com o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças”.
A poucos dias de o navio MV Hondius previsivelmente chegar às ilhas Canárias, Eva Hrncirova anunciou que Espanha ativou o Mecanismo Europeu de Proteção Civil para facilitar o desembarque dos passageiros, estando Bruxelas “a avaliar as modalidades e as necessidades” espanholas para “o tipo de assistência que pode ser ativada”.
A porta-voz deu ainda conta de uma reunião, esta manhã, entre as instituições europeias e as autoridades neerlandesas e espanholas, uma vez que o navio é neerlandês e está agora a dirigir-se para as Canárias.
“Estamos realmente a acompanhar a situação muito de perto e estamos a tentar avaliar de forma extremamente rigorosa todos os riscos possíveis que possam representar uma ameaça potencial para os cidadãos europeus”, concluiu.
As declarações surgem um dia após o Centro Europeu para a Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC, na sigla inglesa) ter admitido que ainda existem “muitas incertezas” sobre o surto de hantavírus no navio.
O ECDC enviou um especialista para o navio de cruzeiro onde foram detetadas as infeções.
Com base nos dados atuais, o centro europeu salientou que o risco para a população geral na Europa permanece muito baixo, não esperando uma transmissão em larga escala.
Um relatório de avaliação de risco do centro europeu adianta que a bordo do MV Hondius estavam 149 pessoas de 23 nacionalidades diferentes, incluindo de nove países europeus, Bélgica, França, Alemanha, Grécia, Irlanda, Holanda, Polónia, Portugal e Espanha.
Até hoje, sete pessoas apresentaram febre, sintomas respiratórios e gastrointestinais, com pelo menos quatro progredindo rapidamente para pneumonia, dificuldade respiratória aguda e choque. Dessas sete pessoas, três morreram.
O ECDC admite como hipótese que alguns passageiros tenham sido expostos à estirpe Andes do vírus na Argentina antes de embarcar e podem ter transmitido o vírus para outros passageiros já bordo do navio de cruzeiro.
O MV Hondius voltou a navegar e deixou as imediações do porto da Praia, Cabo Verde, pelas 16:10 (18:10 em Lisboa) de quarta-feira, prevendo-se que chegue às ilhas Canárias em três dias e que as pessoas a bordo sejam retiradas e repatriadas ao abrigo do mecanismo europeu de proteção civil, de acordo com o Governo de Espanha.
O navio fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, e as ilhas Canárias, durante todo o mês de abril, com paragens no Atlântico Sul para turismo de observação da vida selvagem.