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Seguro apela à defesa da democracia e alerta para "o abismo" dos nacionalismos

Lusa
07-05-2026 13:04h

O Presidente da República apelou hoje à defesa da democracia também como condição de segurança e alertou para crescimento dos nacionalismos, afirmando que são "o caminho para o abismo e para a destruição coletiva".

Na cerimónia comemorativa do 50.º aniversário do Instituto Universitário Europeu, em Florença, Itália, António José Seguro fez um discurso em defesa da preservação da União Europeia como "o maior projeto de paz da História moderna", considerando que esse é "um legado que hoje está em perigo".

Segundo o chefe de Estado, "para preservar a paz, a Europa tem de percorrer quatro caminhos em simultâneo: salvaguardar a democracia, como fundamento irrenunciável da vida em comum; aprofundar a integração política europeia, como garantia de solidariedade entre os seus povos; construir autonomia estratégica, como expressão de soberania e responsabilidade no mundo; estabelecer uma cultura política de confiança, como condição de êxito dos anteriores".

"A defesa da democracia é, simultaneamente, uma opção ideológica e uma exigência de segurança coletiva. Em tempos de recuo democrático e de perda da qualidade da democracia, torna-se imperativa a sua defesa, como método de seleção de governantes, como liberdade de expressão e de participação, como resposta às necessidades sociais, económicas e culturais das pessoas e, sublinho, como condição para a preservação da paz", argumentou.

Num discurso de cerca de quinze minutos, feito em português, o chefe de Estado acrescentou que "os nacionalismos não são solução", referindo que, "mais do que o amor aos próprios, são frequentemente o ódio aos outros" e que "estiveram na origem das duas guerras mundiais e de dezenas de milhões de mortos".

António José Seguro alertou que, perante "o ressurgimento de retóricas idênticas em diferentes países europeus", não se pode ficar indiferente: "Não podemos silenciar o alarme que a História nos desperta".

"Patriotismo e nacionalismo não são sinónimos. Amar o país de onde se vem é uma emoção legítima e nobre. Transformar esse amor em arma contra os outros é o caminho para o abismo e para a destruição coletiva. E o século XX, demasiadas vezes, caiu nesse abismo", afirmou.

O Presidente da República defendeu que "a Europa só terá futuro assente em regimes democráticos e com maior integração política" e que "recuar não é opção".

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