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BE/Açores critica "opções erradas" do Governo após incêndio no Hospital de Ponta Delgada

Lusa
04-05-2026 17:27h

O Bloco de Esquerda (BE) nos Açores acusou hoje o Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) de ter feito “opções erradas” após o incêndio no Hospital de Ponta Delgada, que agravaram significativamente as listas de espera cirúrgica.

Em 04 de maio de 2024, o maior hospital dos Açores foi afetado por um incêndio que obrigou à transferência de todos os doentes para outras unidades de saúde da região, da Madeira e do continente, tendo sido construído um hospital modular junto ao edifício do HDES para assegurar a resposta dos cuidados de saúde.

Dois anos depois do incêndio, “os principais indicadores relativos à atividade cirúrgica demonstram que as opções do Governo e a sua paralisia política estão a prejudicar gravemente a saúde de milhares de açorianos”, alertou o BE em comunicado.

O Bloco lembrou que, desde o incêndio no Hospital de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, defendeu a necessidade urgente de recuperar os blocos operatórios do edifício principal, alertando que “esperar por obras definitivas iria provocar enormes atrasos nas cirurgias”.

Dois anos depois, e com uma lista de espera “que não para de aumentar”, o conselho de administração do HDES “reconheceu finalmente a necessidade dessas intervenções e decidiu avançar” com as obras, sustentou o partido.

O BE citou dados oficiais do Governo Regional que indicam que, entre abril de 2024 e fevereiro de 2026, o número de utentes em lista de espera cirúrgica aumentou de 6.410 para 8.937, um crescimento de 39%.

Além disso, o tempo médio em lista de espera cirúrgica aumentou de 415 para 527 dias (+112 dias), o número de operados por mês baixou de 506 para 337 (-33%), o tempo médio de espera dos operados aumentou de 273 para 387 dias (+114 dias), e a cirurgias realizadas dentro do Tempo Máximo de Resposta Garantido baixou de 54,6% para 44,5%, assinalou o BE.

Para o Bloco de Esquerda, estes números “são muito preocupantes” e evidenciam "os erros que foram cometidos pelo Governo Regional ao insistir no investimento de mais de 30 milhões de euros no hospital modular, que era para ser provisório e afinal é definitivo".

O partido defendeu que deveria ter sido priorizada a "rápida recuperação" do edifício principal, como "recomendavam relatórios técnicos do próprio hospital", deixando o projeto de remodelação profunda do HDES para "um momento posterior, com a resposta à população estabilizada".

Na quinta-feira, em entrevista à agência Lusa, o presidente do conselho de administração do Hospital do Divino Espírito Santo, Carlos Pinto Lopes, adiantou que o programa funcional para a requalificação da unidade de saúde “está alinhado com as necessidades da região para os próximos 25 anos”, projetando uma infraestrutura “resiliente" e moderna.

“O projeto reflete a visão dos nossos serviços e corrige o estrangulamento histórico de espaço do atual edifício, que prejudicava a operacionalidade. Capitalizámos a experiência passada para projetar uma infraestrutura resiliente, moderna e adequada à dinâmica da medicina contemporânea”, afirmou.

A secretária regional da Saúde, Mónica Seidi, revelou à Lusa que o Governo Regional dos Açores já recebeu o programa funcional reformulado do futuro HDES, que prevê a requalificação da atual infraestrutura e a sua ampliação.

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