A CDU na Assembleia Municipal de Coruche defendeu a criação de urgência básica no Centro de Saúde local, proposta aprovada por unanimidade por aquele órgão autárquico, para responder às dificuldades no acesso a cuidados de saúde no concelho.
Em declarações à Lusa, o eleito da CDU Armando Rodrigues explicou que a proposta visa “exigir ao Governo Central” a instalação de um serviço que garanta atendimento permanente à população de Coruche e de concelhos vizinhos, sublinhando que a situação atual “coloca os utentes em enormes dificuldades”.
“O centro de saúde está encerrado no período noturno e o hospital distrital fica, para grande parte da população, a 70 ou 75 quilómetros de distância, o que significa que, em situações de doença súbita ou agravamento de sintomas, não há socorro eficaz”, afirmou.
Segundo o comunista, o concelho enfrenta “falta de médicos, falta de enfermeiros e dificuldades no acesso a consultas”, uma realidade que considera não ser resolvida com o recurso à teleconsulta, que classificou como “uma solução de recurso que não satisfaz nem resolve os problemas da população”.
Armando Rodrigues alertou ainda para os riscos associados à ausência de resposta local em situações urgentes, referindo um caso recente de um utente que morreu numa freguesia do concelho por não ter recebido assistência “em tempo devido”.
Para o eleito, a criação de um Serviço de Urgência Básica permitiria “garantir a presença permanente de médicos, enfermeiros e meios de diagnóstico”, contribuindo também “para aliviar a pressão sobre as urgências do Hospital Distrital de Santarém.
“O acesso à saúde é um direito constitucionalmente consagrado e está muito longe de ser cumprido no concelho”, sustentou.
Atualmente, acrescentou, os utentes de Coruche são encaminhados para Santarém, Évora ou Vila Franca de Xira, enfrentando longas deslocações e tempos de espera, uma situação que gera “um grande sentimento de insegurança”, sobretudo numa população envelhecida e dispersa por freguesias distantes do hospital de referência.
O eleito da CDU salientou que a posição agora aprovada tem “um significado político acrescido” por ter recolhido o voto favorável de todas as forças representadas na Assembleia Municipal, incluindo PS, PSD e Chega.
Segundo Armando Rodrigues, a Câmara Municipal e a Assembleia Municipal têm realizado, nos últimos dois anos, várias diligências junto do Ministério da Saúde e da Unidade Local de Saúde, sem resultados práticos, acusando o Governo de “não prestar atenção” às reivindicações locais.
“O Governo tem feito orelhas moucas e apresentado discursos paliativos que nada resolvem”, disse, defendendo que cabe agora ao Ministério da Saúde desbloquear o processo e decidir a criação do serviço.
O Serviço de Urgência Básica em Coruche poderá beneficiar cerca de 20 mil utentes, incluindo população de freguesias de concelhos vizinhos, indicou, admitindo que, caso não haja resposta, os órgãos autárquicos ponderam “formas de luta”.
Em comunicado anteriormente divulgado, a Câmara Municipal de Coruche reconheceu a degradação das respostas de saúde no concelho, referindo que, ao longo do atual mandato, foram realizadas várias reuniões com a ministra da Saúde e com a Unidade Local de Saúde da Lezíria.
No comunicado, a autarquia referiu que está em preparação a instalação, no Centro de Saúde de Coruche, de uma ambulância de Suporte Imediato de Vida (SIV), que deverá funcionar 24 horas por dia, todos os dias do ano, “assegurando cuidados de emergência pré-hospitalar até à chegada dos doentes a unidades hospitalares”.
Paralelamente, acrescenta o comunicado, decorrem conversações com a Cruz Vermelha Portuguesa para a instalação no concelho de uma equipa de emergência a operar também em regime permanente, com o objetivo de “reforçar a capacidade de resposta em situações urgentes”.