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Província moçambicana de Nampula recebe cerca de 50 toneladas de material médico

Lusa
29-04-2026 21:14h

A empresa Nacala Logistics, operadora ferroviária e portuária do Corredor de Nacala, na província de Nampula, doou hoje cerca de 50 toneladas de material médico e cirúrgico para reforçar os serviços de saúde naquela província do norte de Moçambique.

"Essa resposta traduz-se hoje na entrega de cerca de 50 toneladas de medicamentos, entre antibióticos, soro, gases e luvas (...), que irão reforçar de forma significativa a capacidade de resposta das nossas unidades sanitárias", disse o governador provincial, Eduardo Abdula, durante a receção dos produtos, em Nampula.

O governador de Nampula, pediu aos gestores do setor de saúde na província o devido encaminhamento dos medicamentos e do material cirúrgico, para não haver desvio dos meios.

B. P. Awasthi, diretor operacional da Nacala Logistics, disse na ocasião que os fármacos e materiais entregues são em resposta ao apelo formulado pelo Governo local por forma a "fazer face à escassez dos mesmos nas unidades sanitárias da província".

Em 23 de março, a Índia ofereceu 86 toneladas de medicamentos e material médico a Moçambique, com o Governo africano a exigir que as equipas de inspeção e vigilância estejam em alerta face a episódios de roubo de fármacos.

"Em junho de 2025, o ministro da Saúde e o ministro de Estado das Relações Exteriores da Índia anunciaram, durante a sua reunião, que o Governo da Índia doaria medicamentos. Este é o terceiro e último lote de medicamentos. Creio que este último lote corresponde a cerca de 86 toneladas métricas”, disse Robert Shetkintong, Alto Comissário da Índia em Moçambique.

O responsável falava em Maputo durante a entrega da ajuda, tendo destacado que estes fármacos chegam ao país como um gesto simbólico de amizade “num momento difícil” em que se regista a falta de produtos.

A Lusa noticiou em 31 de julho que as fábricas moçambicanas de medicamentos e outros produtos médicos produzem anualmente cerca de mil milhões de comprimidos, segundo um estudo da International Finance Corporation (IFC) do Banco Mundial, realizado no país.

Esta quantidade de fármacos é produzida pela INFARMA - Indústria Farmacêutica e pela Fábrica Nacional de Medicamentos (FNM), instaladas no país, empregando, segundo os dados do IFC, cerca de 300 pessoas.

“Embora a indústria farmacêutica moçambicana ainda esteja em fase inicial, o país já estabeleceu capacidades de produção para diversos produtos farmacêuticos, incluindo sólidos orais, gases medicinais, dispositivos médicos, desinfetantes e antisséticos”, refere-se no estudo realizado em 2024.

O Governo moçambicano anunciou na altura que pretende reduzir 30% da dependência externa de medicamentos até 2030, alocando anualmente 1% do orçamento destinado a saúde para promover a investigação científica e incentivar a produção local de fármacos.

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