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Hospitais e setor social deviam articular-se como na pandemia

ALS/Canal S+
27-04-2026 18:34h

Os internamentos sociais foi um dos temas do programa Check-Up do S+ (canal 129) que, na passada sexta-feira, juntou o ex-secretário de Estado da Saúde, Ricardo Mestre e a administradora hospitalar, Ana Infante.

A pandemia de COVID-19 mostrou que é possível a articulação entre os hospitais e a área social. Um exemplo deixado pelo ex-secretário de Estado da saúde, Ricardo Mestre, no programa Check-Up, a propósito dos internamentos sociais, que atingiram o valor mais alto dos últimos três anos. Contudo, para que as respostas funcionem é preciso mais articulação e coordenação. 

Os internamentos sociais atingiram o valor mais elevado dos últimos três anos: 2807 pessoas estão internadas sem necessidade médica. Segundo a 10.ª Edição do Barómetro dos Internamentos Sociais, este valor revela um aumento de 19%, entre março de 2025 e março de 2026 e representa 14% de todas as vagas nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde. No total, o SNS somou 439.871 dias de ‘hospitalização social’ num ano, mais 20% face ao período anterior.

Ricardo Mestre considerou também que “o problema acaba por ficar concentrado nos hospitais, muitas vezes nos serviços de urgência e nos serviços mais próximos dos serviços de urgência, com riscos para as pessoas e para aqueles que precisam daquela resposta e não têm, porque os lugares estão ocupados. O antigo secretário de Estado da Saúde, defendeu ainda que “a resposta tem claramente que ser conjunta entre a saúde e o social”. 

Ana Infante, administradora hospitalar, também considera que “é preciso uma reforma estrutural com outros ministérios, a Segurança Social, as ERPIS que permita a uma população cada vez mais envelhecida, cada vez mais desfavorecida, tratar os seus idosos com dignidade”. 

Em média, os casos sociais permanecem 157 dias internados até terem uma solução, como a admissão num lar, numa unidade de cuidados continuados ou outros, uma gestão que, segundo a administradora hospitalar, não compete ao ministério da Saúde. 

De recordar que o governo perdeu 137,5 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) dos cuidados continuados, porque se atrasou nos concursos que seriam necessários. Em novembro de 2025, o PRR foi revisto e as 7.400 camas na rede de cuidados continuados ou paliativos, foram reduzidas para 3.850. Nessa mesma revisão, as 42.000 vagas em equipamentos sociais, passaram para 28.000.

O programa Check-Up faz todas as semanas a análise da atualidade da saúde, com moderação da jornalista Vera Arreigoso.
À sexta-feira, pelas 22h, no Canal S+, na posição 129 da sua box de televisão.

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