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PAM apoiou Moçambique com 52,9 milhões de toneladas de alimentos em dois meses

Lusa
20-04-2026 11:28h

O Programa Alimentar Mundial (PAM) entregou cerca de 52,9 milhões de toneladas de alimentos, entre janeiro e fevereiro, para assistência nutricional em zonas afetadas por inundações e conflitos armados em Moçambique, anunciou a organização.

"O PAM apoiou o Governo na rápida expansão da assistência nutricional nas zonas afetadas por inundações e conflitos, entregando 52,9 milhões de toneladas de alimentos nutritivos a unidades de saúde de cinco províncias, protegendo as crianças pequenas, grávidas e lactantes da malnutrição aguda no meio da interrupção do acesso a alimentos e serviços durante as crises", lê-se num relatório operacional do PAM, a que a Lusa teve hoje acesso.

De acordo com aquela agência das Nações Unidas, o apoio prestado ajudou a salvaguardar períodos críticos do desenvolvimento infantil e, no mesmo período, atividades de prevenção da malnutrição efetuadas na província de Sofala permitiram distribuir sementes a quase 1.800 famílias.

"No entanto, as fortes chuvas e inundações danificaram culturas e árvores de fruto, prejudicando os meios de subsistência e revertendo os recentes avanços na produção de alimentos", avançou o Programa Alimentar Mundial, alertando também que Moçambique continua a enfrentar uma crise humanitária multidimensional, impulsionada por choques climáticos, conflitos e vulnerabilidade socioeconómica.

O PAM avança ainda que embora as águas das cheias dos últimos meses em Moçambique estejam a baixar e os regressos a população estejam em curso, as necessidades humanitárias continuam elevadas, uma vez que as famílias começam a recuperar e as autoridades planeiam o encerramento faseado dos centros de acolhimento.

A organização descreve ainda que muitas famílias no país estão a regressar a áreas com infraestruturas danificadas e serviços básicos limitados, no auge da época de escassez, quando o acesso aos alimentos é restrito e os meios de subsistência ainda não podem ser retomados.

"Em coordenação com o Governo, 120.000 pessoas deslocadas receberam alimentos adquiridos localmente através de cozinhas comunitárias em centros de acolhimento e em comunidades isoladas, e receberam ‘kits’ para 30 dias para apoiar o seu regresso", refere-se no documento.

Ao mesmo tempo, aquela Agência da ONU alerta que a situação de segurança no norte de Moçambique continua instável, com ataques contínuos de grupos armados não estatais que provocam deslocações nas províncias de Cabo Delgado e Nampula.

"Em fevereiro, a insegurança ligada aos grupos armados não estatais interrompeu a vida quotidiana e as rotas de abastecimento no norte de Moçambique, restringindo a circulação e limitando o acesso a bens essenciais em algumas zonas. Apesar das restrições de acesso e das más condições das estradas, o PAM chegou a 410.645 pessoas com assistência alimentar durante o ciclo janeiro-fevereiro, 97% do número de casos planeado", acrescenta o PAM.

A agência da ONU prestou ainda, entre janeiro e fevereiro, apoio monetário direto avaliado em 1,3 milhões de dólares (1,1 milhões de euros).

Em janeiro, o PAM anunciou necessitar de 32 milhões de dólares (27,2 milhões de euros) para prestar apoio a 450 mil vítimas das cheias em Moçambique.

O número de mortos na atual época das chuvas em Moçambique ascende a 311, com 1,07 milhões de pessoas afetadas, desde outubro, 24.229 casas parcialmente destruídas, 11.996 totalmente destruídas e 209.219 inundadas, com um total de 304 unidades de saúde afetadas em menos de seis meses, segundo atualização de 31 de março do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).

Só as cheias de janeiro provocaram, pelo menos, 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos, afetando globalmente 715.803 pessoas, com algumas zonas do sul a registarem nos últimos dias uma nova vaga de inundações.

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