SAÚDE QUE SE VÊ

Cerca de 200 manifestantes exigem resposta para os problemas no SNS

Lusa
07-04-2026 11:42h

Cerca de duas centenas de utentes, profissionais de saúde e dirigentes sindicais estão hoje concentrados em frente ao Ministério da Saúde, em Lisboa, para exigir do Governo respostas para os problemas que existem no Serviço Nacional de Saúde.

“Não, não está. E a responsabilidade é de quem governa este país e de quem continua a fazer com que metade do orçamento para a saúde vá direitinho para o setor privado”, criticou Sebastião Santana.

Alertou ainda para a necessidade de valorizar quem trabalha no SNS, observando a presença de profissionais de todas as áreas do SNS na concentração “em luta por melhores condições de vida e de trabalho”, o que “não é dissociável de um Serviço Nacional de Saúde com qualidade para todos”.

O porta-voz do MUSP, Humberto Costa, explicou que o movimento de utentes participa na concentração para reclamar “um património” que é de todos os portugueses, um desígnio que justifica a união de profissionais e utentes em defesa do SNS.

“Não podemos ficar indiferentes se os nossos filhos nascem na rua, não podemos ficar indiferentes quando os nossos pais, os nossos avós chegam ao hospital e são triados em função do cartão de crédito. Temos de tomar uma posição, porque o que se está a passar verdadeiramente é a destruição ou a tentativa de destruição do SNS”, realçou.

Humberto Costa recordou os ganhos alcançados com o SNS, como a redução drástica da mortalidade infantil, e criticou o que se está a passar neste momento: “É claramente um Ministério [da Saúde] que tem um caderno de encargos e uma parceria com os privados”.

Deu como exemplo o Hospital de Santarém que “está paralisado, com falta de uma série de valências e uma série de profissionais, e, mesmo ao lado, nasceu o Hospital da Luz”.

“Porquê? Porque, objetivamente, o propósito é esse. E, portanto, nós, como utentes, não podemos estar indiferentes perante isto”, sustentou.

Presente no protesto, o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, destacou a importância de, no Dia Mundial da Saúde, sublinhar “o papel dos profissionais”, que, embora sejam “poucos e sob um brutal ataque, conseguem, apesar de tudo, dar resposta, uma resposta insuficiente, mas uma resposta extraordinária”.

Destacou também o papel dos utentes, “que muitas vezes precisam ter uma grande paciência, uma grande capacidade de resistência, mas que olham para o SNS como a raiz funda e a causa funda da solução dos seus problemas”.

“A terceira palavra de ordem é valorizar o SNS” que perante “um brutal ataque, perante tantas dificuldades (…) não olha para ninguém de forma discriminatória”.

Por isso, disse Paulo Raimundo, o Dia Mundial da Saúde “é um dia para afirmar o SNS e para exigir mais médicos, mais enfermeiros, mais técnicos, mais profissionais, melhores condições para responder à população que só o Serviço Nacional de Saúde está em condições de responder”.

MAIS NOTÍCIAS