A Plataforma de Jovens Profissionais de Saúde apelou hoje ao Presidente República, António José Seguro, que insista na necessidade de um pacto para a saúde abrangente, transversal e "à prova de ciclos políticos".
Numa carta enviada a António José Seguro quando se assinala o Dia Mundial da Saúde, a plataforma considera que o pacto para a saúde assumido como prioridade do mandato presidencial deve assentar em compromissos individuais e coletivos.
“Da promoção da saúde à gestão da doença humana e animal, do planeamento urbano aos cuidados domiciliários, da inovação digital à mobilidade, da alimentação ao medicamento, é à escala local que defendemos ser fundamental um compromisso pragmático e verdadeiramente concretizador do princípio de pensar Saúde em todas as políticas”, escrevem.
Dizem-se preocupados com a “tardia adoção” de mecanismos de planeamento, monitorização, gestão e avaliação em vários domínios do circuito de cuidados de saúde, “desde a gestão de recursos humanos à efetividade das intervenções clínicas e de saúde pública”.
“Em linha com o que hoje é já realidade corrente em muitos outros contextos internacionais”, lembram os jovens profissionais de saúde, reconhecendo que, sendo os recursos limitados, é preciso que os vários serviços se articulem melhor para garantir a sua sustentabilidade.
Defendem que o futuro dos cuidados de saúde passará por “um reforço estratégico” da capacidade de intervenção no contexto da comunidade e recordam as desigualdades territoriais no país, sublinhando a necessidade de garantir que o código postal não é fator de desigualdade na resposta às necessidades de saúde.
Os jovens profissionais de saúde dizem pertencer a uma geração “que tem vindo a desiludir-se com o crescente desfasamento entre o fértil terreno do diagnóstico e o sinuoso trilho da concretização” e apelam à magistratura de influência do Presidente da República para um pacto para a saúde transversal, abrangente e “à prova de ciclos políticos”.
Na carta, a que a Lusa teve acesso, a Plataforma de Jovens Profissionais de Saúde reconhece no Presidente da República um “interlocutor privilegiado para elevar este debate acima da conjuntura partidária” e garantir que os compromissos assumidos “transcendam os ciclos políticos”.
Consideram igualmente que o sucesso de um eventual pacto na saúde vai depender da capacidade de os órgãos de soberania ouvirem ativamente os profissionais de saúde.
Este pedido é feito por uma geração que "não aceita o dogma de incompatibilidade entre a missão de cuidar e o direito a um contexto profissional digno, seguro, justo e estimulante", acrescentam os jovens profissionais de saúde, que insistem na urgência de um olhar integrador sobre a saúde: humana, animal e ambiental.
A plataforma deixa claro que não se limita a interpelar, mas quer ser “parte ativa” neste diálogo: "Terá sempre nesta geração uma voz desperta, cooperante e empenhada em participar no desenho desse futuro".