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Surto de cólera matou 11 reclusos e infetou mais de 70 em prisão na RDCongo

Lusa
30-03-2026 14:51h

Um surto de cólera matou 11 reclusos e infetou mais de 70 numa prisão no oeste da República Democrática do Congo (RDCongo), um país com infraestruturas prisionais sobrelotadas e precárias, anunciou hoje o Ministério da Justiça.

O ministro da Justiça congolês, Guillaume Ngefa, afirmou, através de um comunicado, que "um surto de cólera foi confirmado desde 27 de março na Prisão Central de Mbanza-Ngungu", localizada na província de Kongo Central (oeste), a cerca de 150 quilómetros da capital Kinshasa.

"Até ao momento, 11 reclusos infelizmente sucumbiram à doença, enquanto foram registados 74 casos de infeção entre uma população prisional de aproximadamente 800 reclusos", afirmou, classificando o nível de disseminação "particularmente preocupante".

Na RDCongo, a maioria das prisões são uma herança da era colonial. Muitos reclusos dormem no chão, não têm acesso a água potável e têm acesso limitado a cuidados de saúde. A sobrelotação acelera a propagação de doenças, incluindo a cólera, a tuberculose e a malária.

"Foram enviadas equipas médicas" para a prisão de Mbanza-Ngungu "para garantir cuidados contínuos aos doentes, bem como medidas preventivas, incluindo a vacinação", afirmou o ministro da Justiça.

Anunciou ainda medidas de saneamento, desinfeção e monitorização da qualidade da água potável, além da "suspensão temporária de novas admissões na unidade".

Na República Democrática do Congo, muitos reclusos passam vários anos, até décadas, antes de serem levados a julgamento.

Em julho de 2024, mais de 15.000 reclusos, incluindo apenas 2.540 condenados, estavam amontoados na Prisão Central de Makala, em Kinshasa, a maior prisão do país, construída para albergar 1.500 pessoas, segundo o então ministro da Justiça, Constant Mutamba.

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