O presidente do Governo dos Açores disse hoje que o Hospital do Divino Espírito Santo (HDES) de Ponta Delgada está a trabalhar na reacreditação dos serviços, que ficou suspensa após o incêndio de maio de 2024.
“O processo de acreditação e certificação permite criar rotinas de bem fazer, […] porque não basta termos a noção do bem fazer, é preciso saber fazer bem, porque isso é que ajuda a otimizar as realizações. E, por isso, a certificação é muito importante para criar esta rotina de bem fazer, fazendo bem”, disse José Manuel Bolieiro, acrescentando que o HDES está a “retomar a reacreditação”.
Em janeiro, foi feita uma nova auditoria ao hospital e, durante uma semana, os auditores “visitaram diversos serviços” e “avaliaram os parâmetros de gestão de produtividade e de experiência dos doentes”, adiantou.
Nesta primeira auditoria, o HDES “teve uma audição de 1.190 critérios, tendo conseguido 86,5% totalmente cumpridos, 7,14% parcialmente cumpridos e 6,3% não cumpridos”.
“Digamos que, se com estes dados se pode ser crítico do que se está a fazer, é só mesmo vontade de maldizer, porque, com esta auditoria, ficou demonstrado que estamos a fazer bem, que foi bom retomarmos o processo da acreditação, que designam de reacreditação. E estou convencido que podemos, então, para futuro, fazer ainda melhor. Mas, o feito já é uma bela esperança e a confiança que temos no que falta fazer nos permite ter esperança”, observou.
O incêndio que deflagrou em 04 de maio de 2024 no HDES obrigou à deslocalização dos doentes para outras unidades de saúde nos Açores, na Madeira e no continente, tendo o Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) decidido instalar um hospital modular para assegurar os cuidados de saúde até à requalificação do único hospital público da maior ilha açoriana.
O HDES obteve a primeira certificação internacional da Caspe Healthcare Knowledge Systems (CHKS) em 2007, mas ficou suspensa na sequência do incêndio.
José Manuel Bolieiro falava hoje no HDES, na sessão que assinalou o Dia Nacional do Dador de Sangue, onde esteve acompanhado pela secretária regional da Saúde e Segurança Social, Mónica Seídi.
Na cerimónia, José Manuel Bolieiro falou da importância de doar sangue e valorizou o papel dos dadores açorianos, indicando que nos últimos dois anos os hospitais da região registaram um total de 6.822 dadores de sangue que realizaram a primeira dádiva.
O líder do executivo açoriano também aproveitou o momento para referir alguns dados sobre a atividade assistencial do HDES em 2025 e comparativamente com o ano anterior.
Segundo José Manuel Bolieiro, em termos de número total de consultas, o hospital apresentou um acréscimo de 12% (230.899 em 2024 e 259.255 em 2025) e nas primeiras consultas registou-se um aumento de 13% (61.376 e 69.391).
Já em relação ao internamento, o volume de “doentes saídos” aumentou 8% (11.059 em 2024 e 11.929 em 2025), enquanto na atividade cirúrgica que origina internamento, registou-se um aumento de 26% (2.299 em 2024 e 2.886 no ano passado).
Além disso, acrescentou, os dados também indicam, ao nível da atividade cirúrgica urgente, que em 2025 se verificou um aumento de 18% (1.982 em 2024 e 2.337 em 2025), o mesmo tendo acontecido com a produção de meios complementares de diagnóstico e terapêutica, que aumentou 17% (2.130.694 em 2024 e 2.494.818 em 2025).
Quanto à nova unidade de hospitalização domiciliária do HDES, que iniciou atividade em 06 de outubro de 2025 e internou o primeiro utente no dia 13 desse mês, com lotação para cinco camas, recebeu 23 utentes no ano passado e, em 2026, até à data, um total de 32.
“Até 23 de março de 2026 foram poupados 592 dias de internamento convencional no HDES”, observou o líder do executivo açoriano.
Na cerimónia de hoje foi prestada homenagem e reconhecimento público aos dadores de sangue, através da entrega de medalhas e diplomas de mérito, a nível regional e nacional, a cerca de 400 dadores.
A diretora do serviço de Hematologia do hospital de Ponta Delgada, Fátima Oliveira, indicou que em 2025 estavam registados 1.501, “tendo sido realizadas 1.878 dádivas de sangue”.
“Estes números representam mais do que estatística, representam pessoas, disponibilidade, compromisso”, declarou.