A Associação Regional de Reabilitação e Integração Sociocultural dos Açores (ARRISCA) anunciou hoje que será “forçada a implementar” restrições nas suas respostas em saúde, devido à “insuficiência de montantes” acordado com o Governo Regional.
Em nota enviada aos órgãos de comunicação social, a instituição “alerta para cortes nas respostas em saúde devido a financiamento insuficiente em 2026”.
A associação atua na reabilitação e integração de pessoas com comportamentos aditivos, como álcool, drogas, dependências e exclusão social.
Desenvolve programas de tratamento, redução de riscos, reinserção social e formação, além de promover a saúde e prevenir doenças na comunidade.
Na sequência do financiamento aprovado para 2026, no âmbito do acordo com a Direção Regional para a Prevenção e Combate às Dependências, a ARRISCA afirma que será “forçada a implementar um conjunto de restrições nas suas respostas em saúde, devido à insuficiência dos montantes atribuídos face às necessidades reais, um diferencial superior a 150 mil euros”.
“Esta insuficiência de financiamento, recorrente nos últimos anos e com maior diferencial no corrente ano, não atende ao contexto particularmente preocupante, marcado pelo aumento da severidade dos padrões de consumo de substâncias psicoativas, pela crescente prevalência de patologia mental e patologia dual, e pelo agravamento das situações de exclusão social”, afirma na nota.
De acordo com a associação, “nos últimos anos, tem-se verificado um aumento significativo de consumos em ‘cena aberta’, frequentemente associados a policonsumo, desorganização psiquiátrica e múltiplos comportamentos de risco”.
Face a esta realidade e à “limitação de recursos humanos e materiais”, a ARRISCA vê-se “obrigada a adotar medidas de contenção, entre as quais a não substituição de profissionais de saúde em saída ou ausência, a par da limitação da administração de tomas observadas diárias apenas nos dias úteis, implicando a entrega de doses para o fim de semana”.
A instituição vai ainda suspender respostas ao fim de semana em várias valências, incluindo apoio domiciliário e intervenção em contexto prisional, e não vai implementar novas respostas prioritárias”.
A ARRISCA salvaguarda que estas decisões “foram tomadas como último recurso e com grande preocupação quanto às suas potenciais consequências, nomeadamente o aumento de ocorrências hospitalares e policiais, bem como riscos acrescidos para a segurança dos utentes e da comunidade”.