Oito cardiologistas portugueses e um angolano lideram uma campanha focada nas doenças cardiovasculares que prevê rastrear cerca de 400 pessoas na província moçambicana de Nampula, norte do país, foi hoje anunciado.
Em declarações aos jornalistas, a cardiologista portuguesa Lígia Mendes, representante da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, explicou que a missão denominada "Coração com Moçambique", que decorre há seis anos, pretende não apenas realizar rastreios, mas também capacitar profissionais moçambicanos na utilização da ecocardiografia.
"Mais do que vir fazer rastreios e diagnósticos, o nosso objetivo é ensinar os colegas a fazer o diagnóstico e a saber manejar a doença. Não queremos dar o peixe, queremos dar a cana para pescar”, disse a médica.
A especialista acrescentou que a equipa vai doar dois ecógrafos ao Hospital central de Nampula (HCN), uma das unidades sanitárias onde decorre a campanha, entre outro material médico para reforçar a capacidade local de diagnóstico, sublinhando que as primeiras avaliações revelaram um número significativo de crianças com doenças cardíacas congénitas ainda não diagnosticadas.
A campanha que decorre até 10 de julho já rastreou 40 pacientes, dos quais cerca de 80% apresentaram lesões cardíacas, anunciaram as autoridades locais de saúde.
"O objetivo desta campanha é identificar indivíduos com doenças cardiovasculares. No primeiro dia rastreámos aproximadamente 40 pessoas, entre adultos e crianças, e esperamos abranger cerca de 400 até ao fim da campanha", disse Inácio Ribàué, médico internista do HCN.
O responsável explicou que os resultados iniciais revelam uma elevada incidência de problemas cardíacos entre os pacientes observados.
"Cerca de 80% dos rastreados tinham lesão cardíaca. Fizemos o diagnóstico e encaminhámos todos para as consultas de seguimento", disse.
Inácio Ribàué alertou para o aumento dos casos de doenças cardiovasculares na província, sobretudo acidentes vasculares cerebrais (AVC) associados à hipertensão arterial, defendendo que a população deve procurar regularmente as unidades sanitárias para controlar fatores de risco como hipertensão, diabetes, sedentarismo e alimentação rica em colesterol.
Segundo o médico, esta campanha decorre em simultâneo no HCN, no Hospital Geral de Marrere e em escolas da Ilha de Moçambique, abrangendo crianças e adultos, com médicos residentes de pediatria, cirurgia geral e neurocirurgia, cardiologistas locais, ginecologistas e enfermeiros a beneficiarem de capacitações sobre técnicas de rastreio destas doenças.