A Liga Portuguesa Contra a Sida realizou, no último ano, 2.511 rastreios à tuberculose em seis concelhos da região de Lisboa, com especial enfoque em populações vulneráveis, tendo identificado 54 casos de doença, anunciou hoje a organização.
Os dados foram divulgados no âmbito do Dia Mundial da Tuberculose, assinalado hoje, e referem-se ao projeto “Saúde Mais Perto TB”, cofinanciado pelo Programa Nacional da Tuberculose.
A intervenção da Liga Portuguesa Contra a SIDA (LPCS) decorreu nos concelhos de Almada, Amadora, Lisboa, Loures, Odivelas e Sintra (entre 01 de março de 2025 e 28 de fevereiro de 2026) e envolveu, sobretudo, populações em situação de maior vulnerabilidade, que representaram cerca de 2.000 participantes.
Entre estas, incluem-se migrantes provenientes de países com elevada incidência da doença, pessoas em situação de sem-abrigo, utilizadores de substâncias psicoativas e pessoas a viver com VIH, refere a LPCS em comunicado.
Das 2.511 pessoas rastreadas, 113 apresentavam dois ou mais sintomas sugestivos de tuberculose, tendo 103 sido encaminhados para diagnóstico especializado.
Foram ainda realizados 200 testes IGRA - exame de sangue de alta precisão para diagnosticar a tuberculose latente (sem sintomas) -, maioritariamente em pessoas sem história prévia de tuberculose, e 34 rastreios de contactos, dos quais resultaram quatro casos positivos.
A “Saúde Mais Perto TB” assegurou acompanhamento próximo das pessoas encaminhadas, incluindo transporte para consultas, distribuição de equipamentos de proteção individual e apoio psicológico.
A presidente da LPCS, Maria Eugénia Saraiva, salientou a importância do apoio psicológico disponibilizado pelos Centros de Atendimento e Apoio Integrado em Lisboa, Odivelas e Loures, para promover a adesão ao tratamento e prevenir o abandono terapêutico.
A responsável destaca o caso de uma mulher em situação vulnerável, acompanhado pela equipa, constituída por uma enfermeira e uma técnica de apoio psicossocial, que foi diagnosticada com tuberculose ativa e concluiu o tratamento com sucesso.
Este caso permitiu ainda o rastreio de contactos familiares, reforçando a importância da intervenção precoce e integrada.
Paralelamente, foi garantida cobertura total ao nível da literacia em saúde, através da distribuição de materiais informativos e ações de sensibilização sobre sintomas, prevenção e tratamento da tuberculose.
“Com esta iniciativa, a LPCS reforça o seu compromisso com as metas definidas pela Organização Mundial da Saúde para 2030, nomeadamente a redução significativa da incidência e mortalidade associadas à tuberculose, bem como a eliminação dos custos catastróficos relacionados com a doença”, salienta Maria José Saraiva.
A “Saúde Mais Perto TB” evidencia a importância de estratégias de proximidade, facilitando o acesso ao diagnóstico e cuidados de saúde junto das populações mais vulneráveis, “contribuindo de forma decisiva para o controlo da tuberculose em Portugal”.
A Liga deixa ainda “um lamento e um alerta” a quem toma decisões: “A saúde deve ser entendida como um investimento estratégico e um ganho coletivo, e nunca como um custo, dado o seu impacto direto na qualidade de vida, na produtividade e na coesão social”.
Adianta que, durante quatro anos, o Plano Nacional de Tuberculose cofinanciou esta resposta, desenvolvida em articulação com o Centro Diagnóstico Pneumológico Dr. Ribeiro Sanches e outros parceiros.
No entanto, neste ano, Lisboa, Odivelas e Loures não foram contemplados no concurso público, o que limita a cobertura do projeto junto das populações mais vulneráveis.
A LPCS diz que já informou os municípios afetados e diz manter “a esperança” de que o seu apelo venha a ser atendido.