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Ministro moçambicano reconhece défice de profissionais no setor da saúde

Lusa
18-03-2026 20:11h

O ministro da Saúde moçambicano reconheceu hoje que o país enfrenta um défice de profissionais de saúde, revelando que existem apenas cerca de dois mil médicos em atividade no país, dos cerca de 14 mil necessários.

"Não há país que possa crescer, que possa desenvolver sem gente saudável e se olharmos para aquilo que é a força de trabalho que nós temos na saúde, a nossa cobertura ainda é muito baixa", disse hoje Ussene Isse, durante a abertura do Diálogo Nacional sobre Políticas e Investimento para o Trabalho na Saúde, em Maputo.

Segundo o ministro, "os desafios muito grandes no acesso ao capital humano especializado" no setor levou ao uso da "bandeira do subsistema comunitário" como forma de fazer a complementaridade do Sistema Nacional de Saúde (SNS) e levar a saúde mais próxima das comunidades.

"A título de exemplo, nós triplicámos nas últimas décadas o número de profissionais [de saúde] para cerca de 58 mil no país, mas as necessidades do país rondam perto dos cento e sessenta e tal mil. Veja só, quer dizer que estamos com uma lacuna muito grande nesta componente de profissionais de saúde, daí que nós, como Governo, temos um desafio muito grande", explicou.

O número de médicos no país, segundo o governante, também não responde à demanda nas unidades sanitárias no país: "nós precisaríamos de cerca de 14 mil médicos para responder às necessidades do nosso país e estamos ainda em dois mil. É muito pouco".

Para o ministro da saúde, o défice revela os "desafios enormes" na formação de novos profissionais da classe, aliados aos desafios na cobertura de especialistas no país, com a maioria concentrando-se na zona urbana, na perda de funcionários do setor público para o privado, além da retenção e da motivação dos profissionais de saúde.

"Por isso quero aproveitar esta oportunidade, que estão aqui todos pensadores, cientistas, aqueles que têm muitas ideias, para trazerem aqui quais são os cenários que nós temos que trilhar como país, a médio e curto prazo e a longo prazo para colmatar esta lacuna - que é enorme -, para a prestação de cuidados de saúde na nossa população", acrescentou.

Por sua vez, Ricardo Nhacuongue, diretor nacional de Recursos Humanos do Ministério da Saúde, assinalou que a reunião, que visa promover uma reflexão estratégica sobre a formação, retenção e investimento na força de trabalho em saúde, representa um momento particularmente importante para o país. 

"Ao reunirmos diferentes atores em torno da força de trabalho para a saúde, estamos a criar um espaço de reflexão conjunta sobre os desafios que enfrentamos, mas sobretudo sobre as oportunidades que temos para reforçar o investimento no capital humano que sustenta os serviços de saúde", concluiu.

 O setor da saúde enfrenta, há quatro anos, greves e paralisações convocadas pela Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM), que abrange cerca de 65.000 profissionais de saúde de diferentes departamentos.

O Sistema Nacional de Saúde moçambicano enfrentou também, nos últimos três anos, diversos momentos de pressão, provocados por greves de funcionários, convocadas pela Associação Médica de Moçambique (AMM) e exigindo melhorias das condições de trabalho.

Moçambique forma anualmente mais de 200 médicos, em seis universidades, após um período de quase inexistência de profissionais no país, logo após a independência, há 50 anos, indicam dados da Ordem dos Médicos moçambicanos avançados à Lusa em junho do ano passado.

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