A presidente da ULS Amadora-Sintra admitiu hoje que será “muito difícil” executar na totalidade o Plano de Recuperação e Resiliência, que destinava cerca de 50 milhões de euros à instituição, devido às sucessivas alterações nos conselhos de administração.
“Tínhamos um PRR [Plano de Recuperação e Resiliência] de cerca de 50 milhões de euros. A verdade é que com estas sucessivas alterações nos conselhos vai ser muito difícil de executá-lo na totalidade”, afirmou Sandra Cavaca na comissão parlamentar de Saúde, onde foi ouvida a pedido da Iniciativa Liberal.
A administradora hospitalar, que tomou posse há um mês, confessou que a situação a deixa “bastante triste”, porque a instituição precisa de obras.
Explicou que, numa instituição com espaço exíguo, não é possível montar um hospital em estaleiro sem comprometer a prestação de cuidados.
Por isso, a ULS optou por avançar com as obras nas áreas onde isso é possível, justificando que, a poucos meses do fim do PRR, em agosto, é inviável lançar procedimentos que ainda não foram iniciados.
“Só a tramitação de um concurso público são três a quatro meses, e, portanto, é difícil colocarmos sob a nossa responsabilidade uma coisa que vai ser impossível de acontecer, e portanto, mais vale assumir que não somos capazes”, lamentou.
Apesar de o montante do PRR fazer “muita falta”, Sandra Cavaca disse que a Unidade Local de Saúde vai tentar encontrar fontes de financiamento no programa Portugal 2030 (PT 2030), com um projeto já estruturado de ampliação do hospital, para que possa avançar rapidamente se for aprovado.
Caso contrário, a instituição arrisca-se a repetir os atrasos do passado, agravados por “várias mudanças de estratégia face aos PRR, de um Conselho [de administração] para o outro”.
A responsável destacou a necessidade de ampliar o Hospital Fernando da Fonseca, recordando que foi pensado para 200 mil pessoas e atualmente serve cerca de 600 mil.
“A verdade é que é uma população com uma caracterização muito especial, com necessidades muito específicas e que, relativamente ao Serviço Nacional de Saúde, só tem esta porta de entrada”, vincou.
Defendeu, por isso, ser necessário criar condições para fixar os profissionais, que passam por “boas condições de trabalho que neste momento não existem”.
“É algo que tencionamos fazer”, afirmou, comentando que neste primeiro mês de funções, a administração tem estado a “apagar fogos, mas sem deixar de pensar o que tem pela frente”.
Sobre a sua designação para o cargo, motivo do requerimento da Iniciativa Liberal, Sandra Cavaca disse aceitou o desafio “com responsabilidade e determinação”.
“Aceitei o desafio de liderar a ULS Amadora Sintra num cenário de grande complexidade. Os meios de comunicação social davam, aliás, um retrato dantesco: Inverno, infeções respiratórias, tempos de espera penosos nas urgências, sucessivas demissões”, relatou, recordando o seu percurso de 30 anos na Administração Pública.