A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, afirmou hoje que não existem razões para que o número de partos em ambulâncias aumente com a criação das urgências regionais de obstetrícia.
“Nós vamos ter que olhar para os números. Não há nenhuma razão para que, devido à urgência regional, o número de partos em ambulâncias aumente”, disse Ana Paula Martins em declarações à margem da inauguração do Centro de Saúde de Sangalhos, no concelho de Anadia.
A ministra adiantou que as urgências que estão agora a concentrar estiveram “em contingência” a maior parte do ano de 2025.
“Isto quer dizer que não estavam disponíveis, porque não tinham equipas completas”, referiu, apontando que o número de partos era superior ao que as equipas conseguiam realizar.
Segundo Ana Paula Martins, também “não tinham apoio perinatal diferenciado”, tendo por isso as grávidas e parturientes de ser transferidas para o Garcia de Orta e Beatriz Ângelo, que são “hospitais de nível 2”.
“No fundo o que nós estamos a fazer, não desvalorizando naturalmente as preocupações, é a concretizar aquilo que já agora estava a acontecer: a maior parte dos partos em urgência ou em emergência já aconteciam nestes hospitais”, sustentou.
A ministra da Saúde frisou ainda que na maioria dos partos não acontecem situações de urgência e emergência e que, de forma planeada e programada, esses “vão continuar a acontecer, quer no Barreiro, quer em Vila Franca”.
“Por outro lado, uma grande parte dos partos, que são considerados partos normais, de gravidezes de baixo risco, já hoje são maioritariamente acompanhadas por enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica e os partos também feitos por esses enfermeiros especialistas”, acrescentou.
De acordo com Ana Paula Martins, o que o governo está a fazer é utilizar todos os recursos e colocá-los a trabalhar em conjunto.
A ministra disse ainda que o que mais preocupa o governo são os partos extra-hospitalares, uma grande parte deles realizados no domicílio.
“Isso traz-nos algumas preocupações, porque um parto no domicílio é um parto que, efetivamente não tem uma equipa, não tem as condições para garantir a segurança clínica que precisamos. Como sabemos aquilo que é um parto normal e um parto numa gravidez de baixo risco de repente pode tornar-se uma situação grave e, quando é assim, nós precisamos mesmo de estar num meio hospitalar”, concluiu.