Moçambique vai introduzir um novo tratamento para o pé diabético no Sistema Nacional de Saúde, visando reduzir amputações associadas à doença, que afeta cerca de três milhões de pessoas no país, anunciou hoje o ministro da Saúde.
“A diabetes não controlada é uma das principais complicações de várias doenças - complicações cardiovasculares, neurológicas e da visão -, mas aqui hoje vamos falar da complicação dos membros inferiores, o chamado pé diabético, [que é] uma das principais causas de amputação não traumática na República de Moçambique”, disse o ministro da Saúde moçambicano, Ussene Isse.
O anúncio foi feito em Maputo durante uma sessão de formação médica sobre o tratamento de úlceras associadas à diabete, envolvendo especialistas nacionais e uma equipa médica de Cuba, no âmbito de uma parceria entre o Ministério da Saúde de Moçambique, o Hospital Central de Maputo, o maior do país, e a Clínica Marcelino dos Santos.
Na ocasião, o ministro da Saúde alertou para o impacto crescente da diabete no país, sublinhando que a doença integra o grupo de patologias crónicas não transmissíveis que representam um dos maiores desafios para o sistema de saúde.
Segundo o governante, o país enfrenta uma transição epidemiológica marcada pelo aumento de doenças crónicas, como hipertensão arterial, diabetes, cancro, doenças pulmonares e mentais, que pressionam cada vez mais o sistema nacional de saúde.
“Cerca de três milhões de moçambicanos vivem com diabetes”, alertou.
O cirurgião do Hospital Central de Maputo Átilio Moraes explicou que o novo tratamento visa acelerar a cicatrização de feridas associadas à diabetes, reduzindo o risco de infeções e amputações.
“Uma das complicações da diabetes é o aparecimento de feridas, aquilo que chamamos de úlceras e essas úlceras são muito complicadas a fazer o seu tratamento”, disse.
“Este novo medicamento, que já foi registado no país e vai estar acessível no Sistema Nacional de Saúde, são injeções que têm de ser feitas, têm o seu custo, são feitas as injeções dentro das feridas e essas feridas, que eram difíceis de sarar, têm uma regeneração, têm uma cicatrização muito mais fácil e deixa de haver complicações da infeção que poderia terminar com a amputação”, acrescentou.