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Sindicato lamenta que Governo avance com urgências regionais sem estudo de impacto

Lusa
11-03-2026 17:27h

O Sindicatos dos Médicos da Zona Sul (SMZS) manifestou-se hoje contra o processo de criação das urgências regionais de obstetrícia, alegando que o Governo avançou sem um estudo de impacto e à revelia dos acordos coletivos.

Em comunicado, o sindicato que integra a Federação Nacional dos Médicos (Fnam) lamentou que o Ministério da Saúde esteja a implementar estas urgências regionais “sem estudo de impacto, com informação contraditória e à revelia dos acordos coletivos de trabalho”.

A posição do SMZS foi manifestada um dia depois de a Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (DE-SNS) ter confirmado que a urgência regional de obstetrícia e ginecologia no Hospital de Loures começa a funcionar às 09:00 de segunda-feira.

Esta é a primeira urgência do país deste tipo a ser criada no âmbito do novo modelo, que pretende responder à falta de profissionais de saúde, estando já prevista uma outra para a Península de Setúbal, que ficará concentrada no Hospital Garcia de Orta, em Almada, e que levará ao encerramento da urgência no Barreiro.

O sindicato manifestou a sua “mais veemente oposição” à forma como o Governo avançou com o processo, alegando que a decisão de concentrar urgências em locais com grandes distâncias entre as várias unidades de saúde “prejudica os interesses de médicos e utentes, colocando em causa” a saúde de proximidade.

Segundo o SMZS, o anúncio da DE-SNS na terça-feira sobre a urgência no Hospital de Loures revela também a “descoordenação que impera no Governo”, uma vez que a previsão inicial apontava para implementação de uma urgência regional na Península de Setúbal.

A estrutura sindical alertou ainda que, apesar da maternidade de Loures passar a ter um acréscimo de serviço, a equipa “só terá o reforço de um enfermeiro que irá de Vila Franca de Xira”.

“É sabido que a maternidade em Loures já encerrou várias vezes por falta de médicos e, desta forma, ainda vai aumentar a carga de trabalho sem aumentar os recursos humanos, o que conduzirá a um previsível colapso”, salientou o sindicato.

Lamentando que o modelo arranque “sem qualquer projeto-piloto avaliado e sem que se conheça o impacto real” nas unidades que perdem a urgência, o sindicado da Fnam considerou que a centralização não resolve a falta de médicos, uma vez que “apenas a redistribui, desguarnecendo uns hospitais em benefício de outros”.

Na terça-feira, a DE-SNS adiantou que serão realizadas avaliações semestrais ao modelo de funcionamento da urgência regional de Loures, conforme previsto na legislação, classificando-o como um “passo decisivo na resposta do SNS, ao nível das urgências”.

Uma urgência regional assenta num modelo excecional em que duas ou mais Unidades Locais de Saúde (ULS) próximas concentram o atendimento de urgência num único hospital, quando não é possível manter urgências a funcionar em todas ao mesmo tempo devido à falta de profissionais.

A DE-SNS referiu também que a maternidade do Hospital de Vila Franca de Xira vai continuar a funcionar, uma vez que a centralização ocorre apenas ao nível do serviço de urgência.

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