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Colep procura ideias inovadoras de cosmética para negócio que em 2026 deve gerar 345 ME

Lusa
29-04-2026 13:24h

A empresa Colep Consumers Products tem a decorrer um concurso internacional para identificar ideias inovadoras que possa desenvolver na sua unidade de beleza e cosmética, para reforço de uma faturação que em 2026 deverá atingir 345 milhões de euros.

Segundo revela hoje à Lusa a empresa do Grupo RAR, com sede em Vale de Cambra e fábricas também na Polónia e no México, o objetivo da iniciativa “Beautyvibe Innovation Awards” é descobrir novos produtos cuja comercialização seja de interesse para as marcas que, sob rigorosos contratos de confidencialidade, confiam a produção dos seus artigos de cosmética à fabricante do distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto.

Em 2021 a Colep criou a unidade de negócio Beautyvibe, especificamente dedicada à beleza e cosmética, e em 2024 equipou-a com um centro de investigação de 3,5 milhões de euros, para aí criar e testar novos artigos para o segmento. Agora, com o concurso a decorrer até 31 de maio, a empresa quer envolver investigadores, profissionais do setor, 'startups' e até “inovadores individuais com algum conhecimento técnico” na identificação de produtos que possam tornar-se sucessos de mercado e servir públicos que beneficiariam de uma oferta mais alargada – como a população masculina, mulheres na menopausa ou clientes com preocupações ambientais mais vincadas.

“Nós já desenvolvemos uma grande variedade de artigos”, diz a vice-presidente da Beautyvibe e responsável por soluções inovadoras de produto na Colep, Luisella Bovera, apontando no 'showroom' da empresa para desodorizantes, protetores solares, hidratantes, desmaquilhantes, champôs, etc., “mas Portugal não valoriza este setor e, apesar de ter grande capacidade industrial para a cosmética, está muito atrás de países como França, Alemanha e Itália” – que, juntos, representam 40% desse mercado na Europa.

As áreas em que a Colep mais procura “ideias audazes e visionárias” são cinco: produto, embalagem, sustentabilidade, difusão digital e impacto social.

As propostas reunidas até 31 de maio – de preferência já em fase piloto, em lançamento comercial ou à procura de ganhos de escala – serão depois avaliadas por um júri composto por especialistas e académicos nacionais e estrangeiros, para garantia de uma “perspetiva transversal e mais rica quanto a tendências emergentes”.  Entre esses profissionais incluem-se, por exemplo, Carlos Maurício Barbosa, presidente da Assembleia-Geral da Sociedade Portuguesa de Ciências Cosméticas e antigo bastonário da Ordem dos Farmacêuticos; Sarah Fairneny, vice-presidente de I&D da Wella; e Ana Côrte Real, diretora de relações corporativas na Porto Business School.

A análise do júri valorizará o caráter de inovação e criatividade do produto em 30%, a sua relevância comercial e capacidade de escala em 20%, a sua sustentabilidade e impacto também em 20%, a respetiva exequibilidade técnica em 15% e a apresentação e clareza do projeto na mesma proporção.

Como contrapartida, os autores das propostas selecionadas terão acesso ao laboratório da Colep para acompanhamento do processo de concretização do conceito, vão receber mentoria por parte de profissionais seniores de produção e marketing, e poderão apresentar o seu novo produto ao ecossistema global da empresa e nos eventos em que essa faz ‘showcase’ do seu catálogo.

Participação financeira na receita eventualmente gerada pelo novo produto também “é uma opção” a analisar pelo departamento jurídico da Colep.

Luisella Bovera adianta que o concurso será bienal, na expectativa de gerar acesso recorrente a ideias inovadoras que permitam competir com mercados como o do Médio Oriente, “que está a crescer muito” e no qual a marca ainda não conseguiu entrar – apesar de se ter inscrito como expositora na feira da especialidade CosmoProf Connect Dubai, que, enquanto primeira extensão do certame homónimo italiano a essa região do globo, estava prevista para este mês nos Emirados Árabes Unidos e foi entretanto cancelada devido à guerra entre Estados Unidos e Irão.

Mesmo assim, a vice-presidente da Beautyvibe reconhece que “há muitas empresas de beleza e cosmética no mundo a fazerem sensivelmente o mesmo”, pelo que a finalidade do concurso a decorrer até fim de maio é mesmo “descobrir algo novo, algo melhor, disruptivo, para fazer de Portugal um impulsionador de inovação neste setor”.

Com 30 anos de experiência na indústria, em diferentes países, Luisella Bovera afirma: “É mesmo muito difícil criar algo realmente novo nesta área. E Portugal até está cheio de bons engenheiros, mas do que precisamos nesta altura é de novos talentos com orientação profissional e paixão pela cosmética, que é um setor que exige grande eficácia, fragrâncias agradáveis, texturas adequadas e, no geral, elevada sensitividade e uma constante capacidade de renovação”.

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