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Moçambique com epidemia de cólera e 3,5 milhões doses para vacinar em duas províncias

Lusa
19-02-2026 11:01h

As autoridades sanitárias moçambicanas assumiram hoje que o país já enfrenta uma epidemia de cólera, com registo de 5.661 casos e 71 mortos.

As autoridades anunciaram também ter disponíveis 3,5 milhões de doses para vacinar em quatro distritos das províncias de Tete e Nampula, as mais afetadas.

“O país tem uma epidemia, claramente porque temos vários surtos, em vários locais. A definição da epidemia é quando temos vários surtos juntos, então, sim, temos”, disse o diretor nacional de Saúde Pública, Quinhas Fernandes, questionado pela Lusa, numa conferência de imprensa, em Maputo.

O responsável adiantou na mesma conferência de imprensa, de balanço da situação epidemiológica, que a vacinação anunciada vai decorrer na cidade de Tete e Moatize, província de Tete, no centro, e nos distritos de Eráti e Nacala Porto, em Nampula, no norte.

“Em Tete estamos a vacinar dois distritos e em Nampula outros dois distritos e inicialmente recebemos 2,5 milhões de doses vacinas que estão neste momento a serem alocadas a estas duas províncias e em uma semana e meia vamos receber cerca de 750 mil doses. Ao final, para estas duas províncias, vamos alocar cerca de 3,5 milhões de doses para vacinar nestes quatro distritos”, explicou Fernandes.

Equipas multidisciplinares também foram enviadas para as duas províncias, para conter a propagação da doença e preparar a campanha de vacinação, adiantou o diretor nacional de Saúde Pública.

Desde 03 de outubro até 17 de fevereiro, Moçambique registou 5.661 casos de cólera com 71 óbitos, dos quais 52 aconteceram na comunidade e 19 intra-hospitalar, sendo que, do universo dos casos registados, 2.445 (43%) foram registados na província de Nampula e 2.141 (38%) em Tete, conforme dados apresentados pelo responsável.

Um caso registado no distrito da KaTembe, cidade de Maputo, e outro em Chicumbane, em Gaza, estão a preocupar as autoridades sanitárias, que pediram reforço das medidas.

Moçambique está em plena época chuvosa, com as autoridades sanitárias a avançarem que conseguiram conter o maior número de casos de cólera no país com a preparação e disponibilização antecipada de meios, apesar das inundações de janeiro.

“A inovação que introduzimos este ano é que pela primeira vez no nosso país em relação à preparação e resposta à cólera, introduzimos uma nova abordagem que é a testagem massiva, utilizando o teste rápido da cólera com base na experiência que adquirimos durante a resposta da covid-19 para diagnóstico rápido de casos de cólera”, disse o diretor do Instituto Nacional de Saúde, Eduardo Samo Gudo.

A segunda inovação apontada é o recurso à vacinação preventiva para controlar os surtos, tendo recorrido ao uso de tecnologias e outros meios para mapear as áreas de maior risco e avançar com a vacinação nos locais.

“Fazendo uma comparação histórica, este ano temos um número maior de casos e menor de óbitos, isto é graças a estas duas inovações. O Ministério da Saúde nesta presente época investiu em inovações tecnológicas”, explicou.

Segundo o responsável, as autoridades conseguiram até então evitar maiores danos causados pela doença devido ao investimento e laboratórios instalados em todas as províncias, reduzindo o tempo para a confirmação do surto.

Moçambique vacinou 1,7 milhões de pessoas contra a cólera em cinco dias de campanha em quatro províncias, superando a meta antes prevista, anunciou na semana passada o Governo.

O Governo de Moçambique quer eliminar a cólera "como um problema de saúde pública" no país até 2030, conforme o plano aprovado em 16 de setembro em Conselho de Ministros e avaliado em 31 mil milhões de meticais (418,5 milhões de euros).

O objetivo é "ter um Moçambique livre da cólera como um problema de saúde pública até 2030, onde as comunidades têm acesso à água segura, saneamento e cuidados de saúde de qualidade, alcançados através de ações multissetoriais, coordenadas e informadas por evidências científicas".

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