Pelo menos 70 pessoas morreram num total de 5.242 casos de cólera registados em cinco províncias moçambicanas desde outubro, avançou hoje o Governo, que quer intensificar a resposta para cortar a transmissão da doença.
Segundo um balanço divulgado no final da reunião do Conselho de Ministros, em Maputo, os dados da cólera referentes ao período entre 01 de outubro de 2025 e 16 de fevereiro apontam para uma taxa de letalidade geral nacional em 1,3%, sendo que os casos foram registados nas províncias da Zambézia, Manica e Tete, no centro de Moçambique, e Nampula e Cabo Delgado, no norte.
“Esta situação preocupa o Governo e por isso orientou o setor da saúde e obras públicas para intensificar as ações de resposta na provisão de água e saneamento do meio, bem como nos cuidados de doentes para cortar a transmissão do vibrião colérico e minimizar os impactos na saúde pública”, disse o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa.
Um total de 30 residências de líderes comunitários foram destruídas e sete pessoas foram detidas no âmbito da desinformação sobre a cólera na província moçambicana de Nampula, norte do país, foi anunciado em 12 de fevereiro.
No último balanço que a Lusa teve acesso, no mesmo dia, indicava-se que Moçambique registou mais 117 novos casos de cólera no atual surto, em 24 horas, com um morto, elevando a quase 5.000 infetados desde setembro, com 63 óbitos.
De acordo com o último boletim da doença da Direção Nacional de Saúde Pública, com dados de 03 de setembro a 09 de fevereiro, do total de 4.843 casos de cólera contabilizados neste período, 2.051 foram na província de Nampula, com um acumulado de 24 mortos, e 1.847 em Tete, com 28 óbitos, além de 807 em Cabo Delgado, com oito mortos.
Em menor dimensão, o acumulado aponta para 79 casos de cólera, e um morto, na província da Zambézia, e 59 casos e dois mortos na província de Manica.
Só nas 24 horas anteriores ao fecho deste boletim (09 de fevereiro), foram confirmados mais 117 casos e um morto, em Nacala-Porto, província de Nampula, com a taxa de letalidade geral nacional em 1,3%.
No surto de cólera anterior, de acordo com os dados da Direção Nacional de Saúde Pública de 17 de outubro de 2024 a 20 de julho de 2025, registaram-se 4.420 infetados, dos quais 3.590 na província de Nampula, e um total de 64 mortos.
O atual surto já ultrapassa neste período o número de doentes em metade do tempo do surto anterior.
Moçambique vacinou 1,7 milhões de pessoas contra a cólera em cinco dias de campanha em quatro províncias, superando a meta antes prevista, anunciou em 10 de fevereiro o Governo.
Segundo o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, em cinco dias de campanha, foram vacinadas 1.790.410 pessoas nas províncias de Cabo Delgado e Niassa, no norte, e Sofala e Zambézia, no centro de Moçambique, correspondendo a 102% da população inicialmente anunciada.
O Governo de Moçambique quer eliminar a cólera "como um problema de saúde pública" no país até 2030, conforme o plano aprovado em 16 de setembro em Conselho de Ministros e avaliado em 31 mil milhões de meticais (418,5 milhões de euros).
O objetivo é "ter um Moçambique livre da cólera como um problema de saúde pública até 2030, onde as comunidades têm acesso à água segura, saneamento e cuidados de saúde de qualidade, alcançados através de ações multissetoriais, coordenadas e informadas por evidências científicas", disse então Inocêncio Impissa.