O antigo presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) Jaime Marta Soares considerou hoje que o Estado falhou no investimento e na modernização do INEM, alertando para “algum declínio” do instituto.
“Houve falhanços muito grandes do Estado em relação ao INEM”, disse Marta Soares, na comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) para apurar responsabilidades durante a greve no final de 2024 e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019.
Sem querer “partidizar” ou “politizar” o tema, o ex-presidente da LBP sublinhou que o Estado “descurou” aquilo que era necessário para acompanhar a evolução das exigências do sistema de emergência médica.
“Descurou-se aquilo que era necessário potenciar no INEM à dimensão da evolução da exigência”, afirmou, lembrando que Portugal chegou a ter “um dos modelos mais avançados da Europa” na área da emergência pré-hospitalar.
De acordo com Marta Soares, o reconhecimento internacional não impediu que o instituto entrasse num processo de degradação, referindo que “depois começou a entrar em algum declínio”.
“Não haja dúvidas nenhumas de que se descurou (...) e o INEM hoje não está à dimensão daquilo que são as necessidades”, realçou, defendendo que é necessário apurar responsabilidades, mas sem injustiças: “Há culpados, mas que não pague o justo pelo pecador”.
O antigo presidente da LBP lembrou ainda que o sistema de emergência pré-hospitalar português depende estruturalmente dos bombeiros, lembrando o impacto dramático que teria a sua ausência.
“O INEM sem os bombeiros não funciona. Não funciona”, declarou.
Segundo o ex-dirigente, a proximidade territorial e a capacidade de resposta dos bombeiros são essenciais para garantir socorro rápido e eficaz em todo o país.
“Os portugueses entrariam numa situação dramática se não tivessem os bombeiros a funcionar e a ser o agente mais próximo de socorro em situações difíceis”, vincou.
Marta Soares destacou ainda o nível de formação e preparação dos operacionais, sublinhando que os bombeiros têm hoje qualificações que acompanham a evolução técnica do INEM.
“Não há nenhuma estrutura dos bombeiros em que os seus elementos não tenham cursos constantes e permanentes de aperfeiçoamento e inovação de conhecimento, para assegurarem o socorro com garantia e segurança”, precisou.
O ex-presidente da LBP reforçou que esta capacitação contínua é indispensável para que os bombeiros possam cumprir o papel que desempenham no sistema de emergência médica, funcionando como a base operacional que sustenta grande parte da resposta do INEM no terreno.
A CPI ao INEM realizou hoje o oitavo dia de audições, com o depoimento do ex presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses Jaime Marta Soares, entre 2011 e 2021, que durou cerca de três horas.
Composta por 24 deputados para apurar responsabilidades políticas, técnicas e financeiras relativas à atual situação do INEM, a CPI foi aprovada em julho do ano passado por proposta da IL.
O foco inclui a atuação do INEM durante a greve do final de outubro e início de novembro de 2024 e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019.