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Insuficientes renais açorianos destacam importância de manter hemodiálise na esfera pública

Lusa
11-02-2026 11:35h

A delegação dos Açores da Associação Portuguesa de Insuficientes Renais (APIR) considerou hoje uma “importante conquista” a decisão de manter o Serviço de Hemodiálise no Hospital de Ponta Delgada, mas sublinhou que se vai manter "atenta" ao compromisso.

“O anúncio feito na passada segunda-feira pelo senhor presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, ao assegurar a manutenção do Serviço de Hemodiálise no novo hospital — preservando, assim, a natureza pública deste serviço — representa, sem dúvida, uma importante conquista para os insuficientes renais crónicos da ilha de São Miguel”, sublinhou a associação.

Em 04 de maio de 2024, o maior hospital dos Açores foi afetado por um incêndio que obrigou à transferência de todos os doentes para outras unidades de saúde da região, da Madeira e do continente, tendo sido construído um hospital modular junto ao edifício do HDES para assegurar a resposta dos cuidados de saúde.

O Governo dos Açores pretende que o futuro Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, aproveite a “capacidade instalada” da infraestrutura modular construída após o incêndio, segundo disse na segunda-feira o presidente do executivo, José Manuel Bolieiro, a propósito da reorganização e redimensionamento da maior unidade de saúde da região.

Para a delegação regional da Associação Portuguesa de Insuficientes Renais, a manutenção da Hemodiálise na esfera pública é “um passo relevante para os insuficientes renais crónicos da ilha de São Miguel, mas não encerra o processo”.

“Continuaremos atentos, participativos e empenhados para garantir que este compromisso se traduza em melhores cuidados e mais dignidade para todos os que dependem deste serviço”, referiu a associação em comunicado.

A APIR tem alertado, ao longo dos últimos anos, para a necessidade urgente de obras de remodelação e para a criação de uma sala de hemodiálise com melhores condições para doentes e profissionais de saúde.

A decisão definitiva, acrescentou, “demorou mais do que seria desejável”.

Após o incêndio que afetou o hospital e durante a discussão dos planos funcionais, chegou a ser equacionada a privatização do serviço, hipótese que a associação “sempre defendeu não ser a melhor solução, nem para os utentes nem para o próprio sistema”.

Para a APIR, a manutenção na esfera pública garante cuidados médicos de qualidade e é também justificada do ponto de vista financeiro, salientando que os Açores dispõem atualmente de “uma das diálises mais económicas da Europa”.

Apesar do anúncio, a APIR considerou que persistem várias questões por esclarecer, nomeadamente se as atuais instalações serão remodeladas ou se será construída uma nova sala de diálise, equipada com sanitários e vestiários adequados às necessidades atuais, uma nova estação de tratamento de água que permita "aplicar a técnica de alto fluxo" e gabinetes de apoio "indispensáveis" a um serviço desta natureza.

"Acresce ainda a necessidade de clarificar o que significa, na prática, a indicação de que todos os serviços ficarão instalados no perímetro do hospital — nomeadamente, se existirão unidades com edifício próprio e sem ligação interna à estrutura principal e, em caso afirmativo, se a hemodiálise será uma dessas situações", defendeu.

A associação reiterou "total disponibilidade" para colaborar de forma construtiva neste processo, "sempre com o objetivo de defender os interesses e o bem-estar dos doentes renais crónicos, garantindo que lhes sejam proporcionadas condições de tratamento seguras, dignas e de elevada qualidade".

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