SAÚDE QUE SE VÊ

BE pede esclarecimentos sobre hemodiálise e integração do modular no hospital de Ponta Delgada

Lusa
10-02-2026 16:40h

O BE/Açores pediu hoje esclarecimentos ao Governo açoriano sobre a integração do hospital modular na reorganização do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), depois de o presidente do executivo "ter confirmado que a estrutura é afinal permanente".

O partido adiantou que o BE entregou hoje um requerimento ao Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM), através do parlamento açoriano, para que o executivo “clarifique de que forma esta estrutura modular, que está distante do edifício principal, irá ser integrada na reorganização e redimensionamento do HDES”.

Em 04 de maio de 2024, o maior hospital dos Açores foi afetado por um incêndio que obrigou à transferência de todos os doentes para outras unidades de saúde da região, da Madeira e do continente, tendo sido construído um hospital modular junto ao edifício do HDES para assegurar a resposta dos cuidados de saúde.

O Governo dos Açores pretende que o futuro Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, aproveite a “capacidade instalada” da infraestrutura modular construída após o incêndio, segundo disse na segunda-feira o presidente do executivo, José Manuel Bolieiro, tendo salientado que a construção de um hospital modular foi um “sucesso” apesar de, na altura, ter sido uma opção de “risco”.

No requerimento, assinado pelo deputado único do BE no parlamento açoriano, António Lima, o parlamentar pretende saber que utilização será dada ao hospital modular após a conclusão das obras de reorganização e redimensionamento do HDES.

"Será integrado de forma permanente no HDES ou o Governo entende que manterá o seu caráter móvel, estando disponível para ser utilizado noutras ilhas?", questiona o deputado no requerimento, através do qual o BE pretende ainda saber para quando está prevista a conclusão do projeto de reorganização do HDES.

O Bloco critica o facto de o Governo "não ser capaz de apontar uma data para o início das obras" e para a conclusão.

O partido recorda que, em junho de 2025, durante a última reunião da Comissão de Inquérito ao incêndio no HDES, o deputado António Lima manifestou o receio de que o hospital modular, “apresentado pelo Governo como uma solução temporária, acabasse por se tornar “numa solução definitiva”.

“O Governo Regional chegou a afirmar que os módulos poderiam vir a ser utilizados noutras ilhas, em caso de necessidade”, assinala ainda o Bloco, num comunicado.

Para o Bloco de Esquerda, as declarações do presidente do Governo à comunicação social confirmam que, “afinal, o hospital modular é uma estrutura definitiva, e que foi dada indicação à administração para aproveitar nesta reformulação do HDES a capacidade instalada com o modular".

“Mais uma vez, a opção pela construção do hospital modular a seguir ao incêndio não foi transparente", acusa o BE/Açores.

No requerimento, o partido sustenta também que "não ficou claro" se o serviço de hemodiálise "será integralmente desempenhado pelo HDES, ou se a gestão será concessionada a privados".

"O anúncio de que o serviço de hemodiálise irá manter-se no HDES é um recuo do Governo, que surge pouco depois de o Bloco de Esquerda ter denunciado que estava a ser preparada a entrega deste serviço a uma clínica privada, que iria ser construída no Nonagon, com o apoio da autarquia da Lagoa", aponta o BE.

Para o BE/Açores, a garantia de manutenção do serviço de hemodiálise no HDES "é um passo importante", mas defende que "é preciso garantir que a gestão do serviço não vai ser concessionada a privados", alegando que seria "um erro histórico" e "sem qualquer benefício para as centenas de doentes crónicos que dependem destes tratamentos".

MAIS NOTÍCIAS