As autoridades de saúde em Nampula, norte de Moçambique, alertaram hoje para "elevados índices" de doenças tropicais negligenciadas na província, entre as quais a lepra, com mais de 1.300 casos notificados em 2025.
"A província de Nampula continua a enfrentar elevados índices de doenças tropicais negligenciadas, com destaque para a filariose linfática [Elefantíase], parasitoses intestinais, esquistossomose, escabiose [sarna] e lepra, associadas sobretudo ao fraco saneamento do meio e ao limitado acesso a água potável", lê-se numa nota divulgada pelo Hospital Central de Nampula, a maior unidade da região norte do país, a que a Lusa teve hoje acesso.
De acordo com as autoridades de saúde, no ano passado a província registou 2.554 casos de filariose linfática, com maior incidência nos distritos de Nampula, Moma e Meconta, 49.039 casos de parasitoses intestinais, além de 38.900 casos de esquistossomose.
"Já a lepra, considerada eliminada no passado (...) voltou a preocupar as autoridades de saúde, com 1.389 casos notificados em 2025", refere-se no documento.
As autoridades de saúde defendem o reforço das campanhas de prevenção, melhoria do saneamento básico, acesso a água potável e envolvimento multissetorial, como medidas-chave para travar a propagação destas doenças e alcançar a meta de eliminação até 2030.
Em outubro, Pedro Safrão, diretor nacional da Missão contra a Lepra, organização que atua há mais de 30 anos em Moçambique, alertou que, só em 2024, o país diagnosticou mais de 2.800 infetados pela doença, sendo mais de 10% crianças menores de 15 anos.