A Câmara da Amadora manifestou hoje “profunda preocupação” face à situação grave no Hospital Fernando Fonseca (HFF), que coloca “em risco a saúde dos utentes e a segurança dos profissionais”, exigindo mais meios ao Governo, anunciou a autarquia.
De acordo com uma proposta do presidente da autarquia, Vítor Ferreira (PS), aprovada em reunião do executivo, a câmara exige ao Governo que “proceda, com urgência e com um mandato claro de reforço de recursos humanos e reorganização dos serviços de urgência e internamento, à nomeação de um novo conselho de administração” no HFF, também conhecido como Amadora-Sintra.
Isto porque, salienta-se na proposta, a administração encontra-se demissionária desde novembro passado e “qualquer gestão demissionária compromete não só a credibilidade da liderança e a capacidade decisória, como impede que a Câmara Municipal da Amadora tenha um interlocutor para abordagem dos temas comuns, nomeadamente a construção e reparação da ULS [Unidade Local de Saúde]”.
Em comunicado, a autarquia considerou essencial a nomeação de um interlocutor que permita “assegurar o adequado apetrechamento da USF Ribeiro Sanches, cuja construção, da responsabilidade municipal, se encontra em franco desenvolvimento”.
Na proposta, a que a Lusa teve acesso, solicita-se ainda ao Governo “que alargue o número de camas da rede de cuidados continuados e lares do concelho da Amadora e área de influência do HFF”, permitindo disponibilizar camas nestes equipamentos e consequente libertação no hospital.
A autarquia pede também ao executivo que responda “à escassez de profissionais do quadro, reduzindo a dependência de médicos tarefeiros com limitações legais de tempos de trabalho”.
O executivo camarário insta ainda que se criem no concelho da Amadora “novas Unidades de Saúde Familiar, que respondam à escassez de médicos de família” num território com o menor número destes profissionais por habitante (dos 480 mil utentes, 180 mil não têm médico de família).
“Nos últimos meses, e de forma particularmente crítica no início de janeiro, o Serviço de Urgência Geral do HFF registou tempos de espera inaceitáveis, funcionamento com equipas manifestamente insuficientes e uma sobrecarga extrema dos profissionais, comprometendo a qualidade e a segurança do atendimento prestado à população”, refere-se na nota municipal.
Na noite de 02 para 03 de janeiro a urgência geral do Amadora-Sintra “funcionou, durante várias horas, com apenas um médico escalado para toda a área ambulatória” e, “no início dessa noite, encontravam-se 179 doentes em circulação na urgência, com mais de 60” internados no serviço de observação, descreve a autarquia.
“Os tempos de espera atingiram níveis inaceitáveis: os doentes triados como laranja [muito urgente] aguardavam mais de seis horas pela primeira observação médica” e os doentes com pulseira amarela (urgente) “ultrapassavam as 20 horas de espera”, lê-se na proposta, citado informações na comunicação social.
Esta situação de “extrema gravidade”, que coloca “em risco a segurança dos doentes e dos profissionais”, levou à demissão das chefias da urgência geral, da enfermeira diretora e do diretor clínico dos Cuidados de Saúde Primários.
“Os problemas no HFF não são uma inevitabilidade, nem acidente, mas antes o resultado de uma estrutura subdimensionada, que assiste a uma degradação progressiva, resultado de medidas erradas e uma preocupante inação do Governo”, apontou a autarquia.
A proposta do presidente da autarquia foi aprovada com votos a favor do PS, CDU e Chega e contra do PSD.