O presidente da Câmara de Coruche defendeu hoje um reforço urgente nos cuidados de saúde primários no concelho, alertando para a escassez de médicos e a distância para o hospital distrital, que considera “um fator crítico” para a população.
Em declarações à agência Lusa, Nuno Azevedo explicou que Coruche é “o maior concelho do distrito de Santarém” e tem localidades a cerca de 70 quilómetros do hospital distrital, o que implica “tempos de resposta muito significativos em situações de emergência”.
Estas preocupações foram também transmitidas pelo autarca à ministra da Saúde, Ana Paula Martins, com quem esteve reunido na quarta-feira.
Segundo Nuno Azevedo, a ministra da Saúde “mostrou-se sensível” às preocupações apresentadas, mas o autarca frisou à Lusa que há urgência na concretização de soluções.
“Compreendemos as dificuldades, mas as respostas estão criadas e queremos vê-las no terreno o mais rápido possível”, concluiu o presidente da câmara.
“Precisamos de um reforço nos serviços de saúde e de garantir horários alargados nos centros de saúde. Os horários estabelecidos não estão a ser cumpridos, o que agrava a dificuldade de acesso”, afirmou, acrescentando que a escassez de profissionais, sobretudo médicos, “gera uma competitividade pouco saudável entre municípios”.
De acordo com Nuno Azevedo, essa competição traduz-se em ofertas diferenciadas para atrair médicos, como “acordos salariais, apoios à habitação e benefícios para a educação dos filhos”, criando desigualdades que considera “inaceitáveis”.
“Deve haver equidade e condições mínimas definidas para todos os territórios”, defendeu.
O autarca revelou que a cobertura de médicos de família no concelho é “de cerca de 60%”, obrigando os restantes utentes a recorrer a consultas pontuais com outros clínicos.
“É uma preocupação grande, porque há falta de médicos e isso compromete a qualidade do serviço”, disse.
Outra prioridade apontada pelo presidente da Câmara é a entrada em funcionamento da ambulância de Suporte Imediato de Vida (SIV).
“Este equipamento é fundamental para reduzir os tempos de socorro porque estamos a falar de distâncias muito grandes. Neste momento, dependemos da VMER [Viatura Médica de Emergência e Reabilitação] do Hospital de Santarém, que só está disponível consoante a capacidade”, explicou.
Na reunião, o autarca apresentou à ministra as principais preocupações do município face à degradação dos serviços de saúde no concelho.
Em comunicado, a autarquia explica que, entre os temas abordados, estiveram a escassez de médicos, a ausência de médico de família para uma parte significativa da população e a redução dos serviços de atendimento, problemas que, segundo a autarquia, são agravados pela extensão territorial do concelho e pela distância ao hospital de referência, em Santarém.
Um dos pontos abordados na reunião foi a requalificação do Centro de Saúde de Coruche, importante para “garantir condições físicas adequadas às necessidades atuais de utentes, profissionais de saúde e restantes trabalhadores”.
Na nota, a autarquia manifestou ainda preocupação com a desigualdade no acesso aos cuidados de saúde entre populações da mesma região, defendendo “a necessidade de uma abordagem mais coerente, transparente e ajustada às reais necessidades das comunidades integradas na Unidade Local de Saúde da Lezíria”.