O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) disse hoje que foi a anterior direção do INEM que decidiu não renovar o acordo de reforço de meios dos bombeiros ao serviço da emergência médica na época gripal.
No final de uma reunião com o presidente do INEM, Luís Cabral, que hoje decorreu na sede da LBP, sobre reforço de meios para emergência médica, o presidente da Liga, António Nunes, afirmou que não existe falta de meios para socorro, que os que existem são suficientes “se forem muito bem geridos” em alturas de crise, como a que se atravessa atualmente.
No entanto, a LBP sinalizou que o protocolo para meios adicionais dos bombeiros alocados à emergência médica na época gripal, como o que foi acordado no ano passado, não foi renovado este ano, tendo dado conta disso ao Governo, nomeadamente à ministra da Saúde, e ao diretor-executivo do Serviço Nacional de Saúde, sem que nada tenha sido feito a esse respeito, como noticiou na quarta-feira o Expresso.
Questionado hoje no final da reunião sobre se, perante a assunção de que os meios existentes podem ser suficientes se bem geridos, atribuía as falhas no socorro nos últimos dias a uma descoordenação política, mais do que técnica, António Nunes recusou comentar “questões políticas”, mas remeteu a responsabilidade da não renovação do protocolo para a anterior gestão do INEM, quando o instituto era liderado por Sérgio Janeiro.
“O ano passado houve a disponibilidade do sistema para ter um conjunto de ambulâncias só para questões da gripe. Este ano não foi entendido assim, por parte não da atual direção do INEM, mas da anterior direção do INEM, e isso é um assunto que morreu. Pronto, foi uma decisão, é uma decisão que foi tomada, acabou”, disse o presidente da LBP.
No entanto, foi decidido já pela nova direção do INEM, liderada por Luís Cabral, um reforço de meios junto dos bombeiros, não exclusivamente para casos de gripe, mas para todas as situações, acrescentou o responsável.
Sobre a falta de disponibilidade de meios para socorro devido à retenção de macas nos hospitais, apontou ainda o dedo ao silêncio da direção-executiva do Serviço Nacional de Saúde sobre a matéria, referindo que há um terceiro interveniente na questão, os agentes hospitalares, que deve também ser ouvido sobre o problema.
Pelo menos três pessoas morreram esta semana depois de terem ligado para o INEM a pedir socorro e os meios não terem chegado a tempo.