O primeiro-ministro, Luís Montenegro, considerou hoje incorreto fazer "uma diabolização" do estado da saúde, de maneira a incutir uma intranquilidade e desconfiança nos portugueses.
"Houve um caso aqui que foi trágico, é verdade, nós não estamos aqui para ignorar isso", afirmou Luís Montenegro, sublinhando no entanto que "o que não vale é fazer uma diabolização da situação de maneira a incutir uma intranquilidade, uma desconfiança que, sinceramente, os portugueses que todos os dias vão a um centro de saúde, que todos os dias vão a um hospital, todos os dias que vão a um serviço de urgência não sentem".
Montenegro respondia à líder da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão, que considerou que o sistema de saúde e o Estado estão "em colapso" e que a "responsabilidade política só pode ser atribuída ao Governo e ao Ministério da Saúde".
"Eu sei que, para quem passa horas para ser atendido num serviço de urgência, não há explicação nenhuma, não há explicação nenhuma que possa tranquilizá-los, a eles, a essas pessoas e às suas famílias", continuou Luís Montenegro, sublinhando, no entanto, que existem "milhares e milhares de portugueses" a quem "felizmente isso não acontece".
Mariana Leitão acusou Luís Montenegro de "fazer um discurso de estabilidade quando morreram três pessoas", referindo-se a três pessoas que morreram esta semana depois de terem ligado para o INEM a pedir socorro e os meios não terem chegado a tempo.
"Vem aqui anunciar ambulâncias que nós sabemos que já podiam ter sido contratualizadas, hospitais cujos concursos o primeiro-ministro já anunciou umas quantas vezes", disse, alertando ainda para os longos tempos de espera nas urgências.
O primeiro-ministro questionou Mariana Leitão sobre se fala com pessoas que "vão às 168 urgências que estão abertas" e que são atendidas e "bem atendidas".
"Não ouviu um deputado proeminente que agora é candidato a Presidente da República, que quando teve necessidade foi atendido e depois veio até enfaticamente dizer que tinha sido muito bem atendido. É isso que acontece à grande maioria dos portugueses", disse, referindo-se ao líder do Chega e candidato presidencial, André Ventura.
A líder da IL acusou ainda o Governo de dizer que vai anunciar parcerias público-privadas em hospitais, centros de saúde, de falar em complementaridade e que depois "nada se vê".
"Os hospitais e clínicas privados já nem sequer recebem os doentes do SNS, porque o Estado não paga a tempo e não paga de forma adequada. O que é que acontece? Os mais vulneráveis ficam sem alternativa", continuou Mariana Leitão.