O INEM e a Liga dos Bombeiros Portugueses acordaram hoje um reforço de meios permanentes ao serviço da emergência médica, ainda não quantificado, mas que inicialmente se vai focar em responder a constrangimentos na margem sul de Lisboa.
No final de uma reunião entre os presidentes das duas entidades, que decorreu esta manhã na sede da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), em Lisboa, o presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), Luís Cabral, adiantou que ficou acordado um reforço permanente de meios para a região de Lisboa, com um foco inicial na margem sul do Tejo, havendo um compromisso para transformar em contratos permanentes os contratos sazonais de reforço de meios.
“Identificámos hoje, de uma forma muito clara, que temos constrangimentos, principalmente na cidade de Lisboa, na área metropolitana de Lisboa, mas o grande foco, neste momento, tem a ver com a margem sul. E é aí que vamos fazer o reforço inicial”, disse Luís Cabral.
“Em todas as outras situações em que for necessário esse reforço, nomeadamente na cidade de Lisboa, muitas das situações passam […] por transformar ambulâncias que são contratualizadas pelo INEM, do ponto de vista sazonal, ou seja, que são apenas, numa determinada altura do ano, transformar essas ambulâncias em ambulâncias definitivas”, acrescentou.
O presidente do INEM sublinhou que o caráter esporádico desses contratos “cria alguma instabilidade no relacionamento laboral dos corpos de bombeiros com os tripulantes” e que transformar os contratos sazonais em contratos permanentes aumenta a disponibilidade de meios para o INEM.
O aumento de meios ainda não está quantificado, tendo a Liga que contactar as associações humanitárias de bombeiros para aferir disponibilidades, processo que já iniciou, adiantou, por seu lado, António Nunes, presidente da LBP.
Para além de contratos sazonais que passam a permanentes, há também acordos de disponibilidade diária de 12 horas que vão passar a disponibilidade de 24 horas, adiantou o presidente da LBP.
Sobre os resultados da reunião de hoje com o INEM, que, sublinhou António Nunes, estava agendada há 10 dias e não decorre dos casos de mortes por alegadas falhas de socorro tornados públicos nas últimas 48 horas, adiantou ainda que a Liga vai solicitar aos corpos de bombeiros um “adicional de cooperação com o INEM”, depois de se ter verificado que nas regiões de Lisboa e Setúbal, por vezes “a informação não está a fluir” como desejado.
Sobre o financiamento inerente ao reforço de meios, adiantou que a questão nem foi discutida na reunião de hoje.
“O financiamento logo virá, não é essa a nossa preocupação”, disse.
“Há da parte do INEM e da Liga um primeiro problema que é este: encontrar os meios necessários para reforçar, fazer uma maior fluidez da informação e tentar levar ao limite a nossa capacidade de resposta. Se isso tem custos adicionais, certamente que nós temos tempo para resolver”, disse ainda António Nunes.
No entanto, sobre o financiamento já estabelecido para 2026 pela cooperação com o INEM, será apresentada na próxima semana uma proposta “de ajustamento dos valores” acordados para este ano, que decorre do aumento do salário mínimo nacional e da taxa de inflação.
Sobre as alterações ao sistema de triagem feita pelo INEM, o presidente da LBP disse é uma matéria que os bombeiros “precisam de aprofundar um pouco mais tecnicamente”, tendo ficado acordado que na próxima semana será apresentado um documento “que seja explicativo, que possa ser enviado aos corpos de bombeiros, a tentar explicar porque é que se fez essa mudança e em que modos é que essa mudança se vai fazer”.
Pelo menos três pessoas morreram esta semana depois de terem ligado para o INEM a pedir socorro e os meios não terem chegado a tempo.